Fernando Daniel criou um espaço cultural em Ovar para apoiar talentos fora dos grandes centros urbanos

O cantor Fernando Daniel transformou a antiga discoteca Pildrinha, junto à praia do Furadouro, em Ovar, num novo complexo cultural no concelho. Resultado de um investimento de dois milhões de euros, o espaço nasce com a ambição de descentralizar oportunidades e apoiar talentos com menos recursos financeiros através de bolsas.
Hugo Santos Gonçalves
Hugo Santos Gonçalves Jornalista
João Lacerda
12 mai. 2026, 08:00

O cantor Fernando Daniel transformou a antiga discoteca Pildrinha, perto da praia do Furadouro, no concelho de Ovar, no novo empreendimento cultural do município.

"O 'Nagana' é um sonho tornado realidade", confessa o artista em entrevista ao Conta Lá. Este "é um espaço para mim e para todos aqueles que partilham a mesma vontade que eu de crescer mais e mais e com qualidade", acrescenta.

Inserido numa área de cerca de mil metros quadrados, 'Nagana' une os novos estúdios do cantor com uma escola de música. Composto por três salas de aula, duas régies, duas salas de ensaios, um estúdio de vídeo e até um museu sobre a carreira do artista, este complexo é fruto de um investimento de dois milhões de euros apenas de Fernando Daniel.

"Há uma missão maior de descentralizar as oportunidades", afirma o cantor. "Sinto que há um estigma a tudo o que não é dos grandes centros", lamenta.

A escola de música 'Nagana' nasce ainda com um cariz social. "Os meus pais não tinham possibilidades de me dar aulas e eu ouço alguns músicos falar, mesmo os meus músicos falam entre eles sobre coisas que eu não entendo e que só mesmo estudando é que se tem essa noção", revela Fernando Daniel.

O músico vai atribuir 10 bolsas de estudo a talentos com menos recursos financeiros. "Vamos atrás do mérito, porque acreditamos que na música, mais do que tudo, o que importa é efetivamente o talento”, reforça.

'Nagana' quer também se afirmar como um espaço cultural no concelho de Ovar, com circuitos de música na área externa do complexo. "A ideia é fazer um cartaz cultural, com circuitos de música ao vivo que acho que faz falta", refere.

Na inauguração do novo espaço, Fernando Daniel deixou um apelo: "lembrem-se que a cultura não tem distrito".