Festival Internacional de Cinema de Santarém celebra agricultura e recursos naturais
Construir um espaço de diálogo entre agricultores, investigadores, ambientalistas, cientistas, cineastas e artistas é o mote do Festival Internacional de Cinema de Santarém (FICS), cuja 19ª edição está a decorrer em espaços emblemáticos da cidade ribatejana até 31 de maio, domingo.
A exibir filmes no Teatro Sá da Bandeira e no Mercado Municipal de Santarém, a 19ª edição do certame cinematográfica é organizada pelo cineclube da cidade com o apoio da câmara municipal e conta no programa com 44 filmes de 20 países.
Para a sessão de abertura, a 25 de maio, foi escolhido o filme "Better Go Mad in the Wild”, de Miro Remo, um híbrido documental que acompanha a vida de dois irmãos gémeos que vivem isolados na natureza e cuja relação começa a revelar tensões entre desejo de mudança e permanência
Entre estreias nacionais, competições, performances, uma exposição e outras atividades para escolas e famílias, o tópico desta edição é "Terra e Soberania", e como sempre na história do festival, temas como a agricultura, a sustentabilidade ou as ligações entre comunidade, território e recursos naturais são assuntos naturais de destaque. Sem esquecer o foco internacional, que este ano está centrado na Palestina.
A 1ª edição nasceu em 1971, o que faz do FICS um dos festivais de cinema mais antigos do país, tendo decorrido de forma ininterrupta até 1989. Após um período de interregno, foi reavivado em 2023, como forma de fazer jus ao impacto que a encarnação anterior continuava a ter em várias gerações de cinéfilos escalabitanos e pela visibilidade cada vez maior das questões ambientais.
Cinema à Mesa
Melhor Filme Internacional e Melhor Filme Português, são os prémios atribuídos pelo FICS, ambos no valor 1200 euros, a que se juntam duas menções honrosas, um Prémio Especial do Júri e o Prémio do Público, de 500 euros cada.
Entre as várias iniciativas integradas no programa, realce para o "Cinema à Mesa" a 31 de maio, com o Mercado Municipal de Santarém a receber a exibição de dois filmes que acompanham dois chefs de Navarra nos seus dias para lá da cozinha e a sua ligação com a terra, os mercados e os produtores locais. As duas curta-metragens são do realizador espanhol Pedro Peira, que estará presente no evento, com o público a ser convidado, após a sessão, para um almoço baseado em plantas, confecionado a partir de produtos locais, acompanhado por uma prova de queijos, enchidos e vinhos.
O dia de encerramento ficará também marcado por uma uma parceria entre a Cinemateca Portuguesa e o Conservatório de Música de Santarém, para a apresentação do filme mudo de 1929, “A Dança dos Paroxismos”, de Jorge Brum do Canto, obra recentemente digitalizada, com a partitura original a ser executada em sala por estudantes do conservatório.