Festival No Fio da Palavra reinventa-se para quinta edição em Viseu
festival No Fio da Palavra, que decorrerá em fevereiro, em Viseu, foi reinventado e passará a integrar vários domínios da palavra, indo além da tradição oral, anunciou hoje o diretor da companhia Mochos no Telhado.
“É um festival que se renova para a sua quinta edição. Deixa de ser centrado na tradição oral, na memória oral, na narração oral, e passa a ser um festival que acolhe os vários domínios da palavra”, explicou Dennis Xavier, durante a conferência de imprensa de apresentação da programação.
A realizar dos dias 13 a 15 e 20 a 22 de fevereiro, o festival integrará “a poesia, a palavra sonora, a palavra dita por outras vias que não a da narração ou da prática de contar histórias”, apresentadas por artistas como Afonso Cruz, António Fonseca, Xullaji, Sandro William Junqueira, Cristina Taquelim, Quico Cadaval e Paula Carballeira, acrescentou.
O responsável referiu que, além do apoio de 28 mil euros do município de Viseu (para criação e programação), pela primeira vez recebeu um financiamento de 15 mil euros da Direção-Geral das Artes para este festival.
“Possibilita-nos ir mais longe e trazer outro tipo de profissionais e artistas”, no âmbito de um programa que é “seguramente o mais completo do todo o historial do projeto”, frisou.
No primeiro dia do festival, a Igreja Paroquial de São José acolherá o espetáculo “O que a chama iluminou”, com Afonso Cruz e Mariana Ramos Correia.
Segundo Dennis Xavier, Afonso Cruz “aparece como intérprete deste espetáculo, que cruza uma linguagem teatral com uma linguagem musical”.
“É muito inspirado num acontecimento pessoal do Afonso, uma viagem à América Latina em que tem uma experiência de quase morte. No fundo, é uma grande reflexão sobre a morte”, adiantou.
No dia seguinte, o festival chegará à Biblioteca Municipal de Viseu com o espetáculo de contos “Vacas, Guerras, Porcos e Clérigos”, com o contador espanhol Quico Cadaval que é considerado “uma figura incontornável na narração oral e na prática de contar histórias”.
No segundo fim de semana do festival, será possível assistir ao espetáculo de contos “Vira o Disco e Conta Outro”, um “lugar de encontro” entre Cristina Taquelim (contadora de histórias há mais de trinta anos ligada à Biblioteca de Beja e ao trabalho de mediação cultural e desenvolvimento humano) e Paula Carballeira (narradora oral desde 1994, atriz do grupo de teatro Berrobambán e autora de obra literária).
A companhia Mochos no Telhado apresentará um espetáculo que foi criado no âmbito do projeto "Deixa-me Contar Antes Que Esqueça", intitulado “O que vi quando olhei para trás” e que junta Catarina Carvalho Gomes e Sofia Moura.
“A recolha foi centrada nas histórias do oculto, nas superstições, bruxas, feiticeiras e lobisomens, todo este imaginário de um tempo em que não havia eletricidade nas ruas”, avançou o diretor da companhia.
Haverá ainda um concerto do ‘rapper’, ‘sound designer’, poeta sónico e visual Xullaji, no Teatro Viriato.
Dennis Xavier explicou aos jornalistas que, apesar de Xullaji se apresentar em Viseu com banda, este “será um concerto mais relacionado com uma nova obra que tem vindo a desenvolver muito centrada na palavra como forma de intervenção”.
O Museu Nacional Grão Vasco será o palco do espetáculo de encerramento do festival, intitulado “Os Lusíadas como nunca os ouviu”, em que António Fonseca apresentará uma versão enquadrada numa exposição temporária dedicada a Camões.
A programação inclui também ‘masterclasses’ e conversas com Afonso Cruz (dia 14), Dora Batalim, Cristina Taquelim e Paula Carballeira (dia 20) e Paulo Correia (dia 21), e oficinas com Sandro William Junqueira, Joana Gomes Martins, Xullaji e Dora Batalim.
“Este projeto tem muitas ambições para o futuro. Esta semana estamos focados na candidatura da próxima edição”, frisou Dennis Xavier.