Governo vai apoiar com 30 milhões de euros pastores e rebanhos que reduzam risco de fogos

O Governo vai investir 30 milhões de euros por ano para apoiar pastores e rebanhos que contribuam para reduzir o risco de incêndios florestais. O anúncio foi feito pelos ministros da Agricultura e do Ambiente.
Agência Lusa
Agência Lusa
17 abr. 2026, 13:25

Na Serra de Aire e Candeeiros, em Alqueidão da Serra, uma das freguesias de Porto de Mós, José Manuel Fernandes e Maria da Graça Carvalho, foram ao encontro do único rebanho ativo naquele concelho do distrito de Leiria, para apresentarem o Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio Extensivo.

A intenção, explicou o ministro da Agricultura e do Mar, é fomentar o aparecimento de novos pastores, “com um prémio de instalação de 30 mil euros”, repartidos por cinco anos.

Mas também está prevista a ajuda à “aquisição de animais - com majoração para as raças autóctones - e a transformação de áreas de mato para pastorícia”. 

O apoio aos novos rebanhos será pago por tranches, sendo o montante de 8400 euros nos primeiros três anos e de 2400 euros nos últimos dois, avançou José Manuel Fernandes.

“É um programa que tem 30 milhões de euros financiados pelo Fundo Ambiental, com o objetivo de funcionar durante cinco anos, o que significa que são 150 milhões”, salientou o ministro.

Com o rebanho a pastar ao fundo, numa das encostas, Maria da Graça Carvalho recordou, entre alecrins, orégãos e outras ervas aromáticas daquela serra, que a pastorícia “era uma ferramenta usada antigamente para prevenir fogos florestais”.

“Mas temos cada vez menos pastores e é isso que queremos reverter. Queremos atrair jovens pastores, aumentar o número de animais e de pastores, e portanto precisamos de valorizar esta profissão”.

Segundo a ministra do Ambiente, “a existência de animais e esta profissão [de pastor] é uma ferramenta muito boa para diminuir a carga combustível e, portanto, diminuir o risco de incêndio”.

Ao mesmo tempo, a medida anunciada procura “lutar contra a desertificação, proteger a paisagem e o ambiente, contribuir para a biodiversidade e dar uma maior coesão, porque luta contra a desertificação. E aumentar a economia destas regiões”. 

“Num só programa conseguimos vários objetivos, que são objetivos do Governo”, realçou Maria da Graça Carvalho.

José Manuel Fernandes salientou os méritos da iniciativa por conseguir, a partir do objetivo primeiro de prevenção e redução dos fogos florestais, contribuir para a “competitividade, coesão territorial e sustentabilidade, tudo num mesmo programa”.

Sobre o acesso ao Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio Extensivo, a ministra do Ambiente prometeu que será “um processo simples”: “Simplificámos muito”, porque “herdámos programas complexos”.

Segundo a governante, o programa foi desenhado pela Agência para o Clima e o IFAP - Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas e faz parte de “uma nova geração de programas muito mais simples, muito mais rápidos de serem avaliados e muito mais rápidos de serem pagos”. 

“Este é pago pelo fundo ambiental, mas faz-se uma transferência para o IFAP, porque tem uma base de dados e é muito mais rápido fazer o pagamento”, complementou.