Greenpeace critica decisão da OPEP+ de aumentar produção de petróleo

A Greenpeace International considerou que a decisão da OPEP+ de aumentar a produção de petróleo, após o ataque ao Irão, demonstra que a paz e a estabilidade continuam dependentes dos combustíveis fósseis.

Agência Lusa
Agência Lusa
01 mar. 2026, 17:20

A Greenpeace considerou hoje que a decisão da aliança petrolífera OPEP+ em aumentar a produção de petróleo, um dia após o ataque contra o Irão, mostra que a paz estará sempre à mercê da geopolítica devido à dependência petrolífera.

“A reunião da OPEP+ deixa uma coisa clara: enquanto o nosso mundo funcionar com petróleo e gás, a nossa paz, segurança e bolsos estarão sempre à mercê da geopolítica”, criticou hoje o presidente executivo da Greenpeace International, Mads Christensen.

Para o dirigente da associação ambientalista, citado em comunicado, este aumento até poderá aliviar temporariamente a pressão sobre os preços, mas “não resolve a vulnerabilidade estrutural no cerne desta crise recorrente: a dependência contínua do mundo dos combustíveis fósseis”.

A aliança petrolífera OPEP+ anunciou hoje que aumentará a produção de petróleo bruto em mais 206 mil barris por dia, sem mencionar o ataque contra o Irão, que mantém os mercados energéticos em alerta.

A Greenpeace pede que os vários líderes políticos procurem “soluções pacíficas e diplomáticas e garantam o acesso a energia sustentável e acessível para substituir a volatilidade da ordem mundial impulsionada pelos combustíveis fósseis”, considerando que a energia renovável “permite a produção local de energia e não é refém de conflitos geopolíticos”.

Apelando a um cessar-fogo imediato, a organização não governamental lamentou que as pessoas estejam “a sofrer as consequências da violência e dos ataques flagrantes de Donald Trump ao Direito Internacional”.

Com o conflito regional está em risco o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo.

O preço do barril de petróleo Brent, de referência na Europa e para entrega em abril, já tinha incorporado um prémio de risco antes do conflito, atingindo mais de 72 dólares na sexta-feira, e pode subir acentuadamente assim que os mercados reabrirem esta segunda-feira.

No sábado, segundo a Força Naval da União Europeia, a Guarda Revolucionária do Irão avisou via rádio que “não é autorizada” a passagem pelo estreito de Ormuz, rota essencial do comércio mundial de petróleo.

O Estreito de Ormuz (uma estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico) é muito importante para o tráfego de petróleo, mas também de gás natural liquefeito.

Quanto ao Irão, é um dos membros fundadores da OPEP (em 1960) e, em janeiro passado, produziu aproximadamente 3,1 milhões de barris por dia, segundo fontes independentes, cerca de 11% da produção total dos 12 membros do grupo.

Dentro da aliança OPEP+, o Irão era o quarto maior produtor até 2025, atrás de Rússia, Arábia Saudita e Iraque. Já nos últimos meses foi ultrapassado pelos Emirados Árabes Unidos.