Joaquim Nogueira é o único artesão de concertinas em Portugal
Presente em festas, romarias e bailes populares, a concertina atravessou gerações e marcou a identidade cultural do país. Durante décadas, no entanto, não existia em Portugal um construtor nacional deste instrumento. Essa realidade mudou em 1995, quando Joaquim Nogueira decidiu perceber como se fazia uma concertina e começou a construir a primeira.
Natural de Baião, no Porto, Joaquim cresceu rodeado pela música que acompanhava a tradição. Ainda quando era jovem, começou a tocar concertina nos bailes das aldeias. Já a viver no Porto, manteve essa ligação e, depois de se aposentar, dedicou-se por inteiro a esta arte.
Movido pela curiosidade e pela vontade d e aprender, começoude forma autodidata a construir concertinas. Sem acesso a ferramentas, Joaquim começou a inventar as suas próprias máquinas e engenhos, num processo feito de tentativa, erro e persistência.
Cada concertina é construída manualmente, peça a peça, num trabalho longo e minucioso. Do primeiro corte da madeira à afinação final, uma concertina pode demorar mais de dois meses a ficar concluída.
Além da construção, Joaquim Nogueira dedica-se também à reparação e restauro de concertinas e acordeões, bem como à construção das próprias máquinas para fazer as concertinas.
A paixão pela concertina passou de geração em geração. O filho, Ruka Nogueira, cresceu entre os instrumentos, tornou-se músico, professor de concertina e integra um grupo de música popular. O neto segue-lhe os passos, garantindo que o legado familiar continua vivo.
Hoje, aos 83 anos, Joaquim Nogueira vê com surpresa o regresso da concertina às festas e palcos, numa altura em que o instrumento voltou a estar na moda. Na oficina onde trabalha, em Matosinhos, continua a dar forma e som a um instrumento que ajudou a preservar e a reinventar. Ao longo dos anos, participou em vários eventos ligados à música tradicional e à construção de instrumentos, recebendo distinções e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.