José Massuça começou a correr aos 42 anos, depois de deixar de fumar e decidir mudar de vida. Hoje completou uma das provas "mais difícieis do mundo"
Depois de sete dias a correr no meio do deserto, com calor extremo, areia sem fim e o essencial às costas, o atleta José Massuça terminou a Maratona das Areias, no deserto do Saara, algo que ambicionou durante mais de uma década, como partilhou em entrevista ao Conta Lá.
A prova não é para qualquer um. São cerca de 250 quilómetros atravessados a pé, em seis etapas ao longo de uma semana, na parte marroquina do deserto do Saara. Na prática, é como correr seis maratonas seguidas, mas com condições muito mais duras, uma vez que uma etapa pode mesmo ultrapassar os 90 quilómetros.
Foi neste cenário extremo que José Massuça concluiu, este sábado, mais uma etapa da sua vida desportiva, que surpreendentemente chegou mais tarde do que a maioria dos casos. O atleta natural de Évora só começou a correr aos 42 anos, depois de deixar de fumar e decidir mudar de vida. Entre apostar em hábitos saudáveis e dedicação ao desporto, surgiu a paixão por desafios extremos.
"Estava em lista de espera para a edição do próximo ano, há dez anos que tentava ir a essa prova. Perguntaram-me se estava disponível, nem pestanejei muito para dizer que sim", partilhou o mesmo em entrevista no programa Intercidades, antes de viajar para começar a prova.
Apesar de ter começado mais tarde e hoje com os seus 55 anos, José Massuça já são incontáveis os feitos que José Massuça tem no currículo.
Em 2013 correu a primeira maratona, onde falhou o seu objetivo por apenas dois segundos. Não cedeu ao desânimo e, desde então, já completou mais de 35 maratonas.
A viragem definitiva aconteceu com o triatlo. Em 2014 fez o primeiro Ironman, em Lanzarote, uma das provas mais duras da modalidade. Seguiram-se desafios cada vez mais exigentes, como o Ultraman no País de Gales e competições europeias de longa distância.
O grande momento chegou em 2017, quando venceu o EPIC5 Challenge, no Havai ,cinco Ironmans em cinco dias consecutivos, em cinco ilhas diferentes. Um feito único para um atleta português.
Maratona das Areias é considerada uma das mais duras do mundo
A maratona que o atleta terminou este sábado implica muito mais do que correr. Cada atleta tem de ser totalmente autónomo: leva às costas comida, roupa e material para toda a semana. A organização fornece água, mas de forma racionada e quem ultrapassa o limite de utilização é penalizado. As noites são passadas em tendas tradicionais, partilhadas e sem grandes confortos.
Considerada uma das provas mais duras do mundo desde a sua criação em 1986, a Maratona das Areias reúne todos os anos centenas de atletas de dezenas de países.
O percurso muda todos os anos e só é conhecido pouco antes do início, o que aumenta ainda mais a exigência mental. O que há sempre é um dia de descanso, pelo meio da prova e normalmente após a etapa mais longa, que serve para recuperar forças antes do esforço final.