Leiria pede a IPMA que seja um "instituto capaz" de fornecer modelos de prevenção de mau tempo "mais ajustados"

O presidente da Câmara de Leiria pediu  ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para analisar a previsão efetuada na tempestade Kristin e para melhorar os seus modelos. 
Agência Lusa
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27 mar. 2026, 21:00

"O próprio IPMA tem de fazer um balanço do que aconteceu. Vamos precisar mesmo de um instituto capaz, de ter mais informação, mais estações, mais imagens, mais valorização e mais participação científica, para encontrar modelos de prevenção mais ajustados", alertou Gonçalo Lopes, autarca de Leiria.

"Estão todos recordados, conforme os avisos e os modelos que o IPMA avançou no dia 27 e no dia 26, em que anunciaram a tempestade", disse o autarca, sublinhando que "os modelos que o IPMA utiliza dava entrada da tempestade entre Mira e Figueira da Foz".

No entanto, "havia a correr na ‘internet’ modelos, feitos por outros especialistas, jovens cientistas, que acertaram no sítio onde ia entrar".

Para Gonçalo Lopes, uma previsão mais precisa ajudará ao "pré-posicionamento de meios". "No caso concreto, geradores, reposição, etc., podiam ter sido melhorados se tivéssemos tido um modelo previsivo", acrescentou, ao frisar que não se trata de uma crítica.

O presidente lamentou que quando se assinalam dois meses da tempestade Kristin - este sábado - haja ainda "50% da população na região de Leiria sem comunicação".

"Essas pessoas ainda estão privadas de algo que é fundamental, que se habituaram ao longo dos tempos a ter. Temos ainda uma parte importante dos nossos munícipes não só em comunicação, como têm ainda as suas indústrias destruídas, as suas casas destelhadas e aguardam poder passar esta fase que sabíamos que ia ser mais demorada do que inicialmente se podia, para poderem projetar o seu futuro", apontou.

Gonçalo Lopes reconheceu, contudo, que tem sido "um trabalho incansável, mas ainda demorado, na reposição de toda a fibra ótica e internet nas casas das pessoas".

No caso da floresta, "é preciso agir agora". "É preciso formar um 'exército' grande, para que os quatro concelhos [Leiria, Marinha Grande, Ourém e Pombal], onde há mais floresta atingida", possam ter os terrenos limpos, com a colaboração dos privados, que "ainda poderão valorizar a sua madeira".