Leiria reergue-se: centenas de pessoas juntam-se em ação de voluntariado junto ao estádio municipal
Junto ao Estádio Municipal de Leiria acontece um encontro improvável: centenas de pessoas reuniram-se este sábado, não para celebrar golos, mas para reerguer uma cidade ferida pelo mau tempo. É a partir dali que se organiza parte da resposta solidária à devastação deixada pela tempestade Kristin que atingiu Leiria, a região mais afetada pelo mau tempo nos últimos dias.
Grupos de jovens, famílias inteiras e vizinhos. Há dois pontos de recolha ativos na cidade de Leiria, um deles junto ao estádio, onde o vai-e-vem de bens e ajudas é constante. Mas é de lonas e plásticos que as autoridades mais precisam e apelam, tudo para proteger as coberturas já danificadas e que estão agora vulneráveis ao mau tempo que ainda se avizinha. Pedem-se também telhas, geradores e água potável.
Entre caixas e sacos, há rostos de todas as idades. Isabel, voluntária e residente em Leiria, fala numa verdadeira “tragédia”, mas sublinha a resposta da população: “Estamos a tentar reorganizar a cidade com o que temos”. Ao lado, Pedro, ainda criança, ajuda como pode, acompanhado pela mãe e pela avó.
É este espírito de voluntariado, espontâneo e transversal, que a reportagem de Rita Ferro Rodrigues acompanha. Em Leiria, enquanto os estragos ainda são visíveis, a solidariedade já começou a fazer caminho.
"Nas aldeias as pessoas também precisam de ajuda"
Num relato feito a Rita Ferro Rodrigues, o jovem Diogo, morador na aldeia de Campo Amarelo, perto da cidade de Leiria, lamentou que seja geral o sentimento da população daquela localidade na falta de ajuda pelos meios de socorro que estão muito centralizados nas áreas urbanas.
Segundo o jovem, naquela aldeia "ainda não chegou praticamente ajuda nenhuma", e há uma grande sensação de que a "atenção está muito volta para Leiria". “Nas aldeias as pessoas também precisam de ajuda”, disse de forma preocupada, até porque se "prevê que chegue uma nova tempestade".
“Um abandono total”, relatou Maria Figueiredo, outra moradora, que sem luz e escassez de água, confessa que têm sido a entreajuda da população que tem contribuído para a resiliência face aos estragos do mau tempo.

Foto: Rasto de destruição em Bidoeira de Cima, na entrada para Leiria