Ligação Bragança - Puebla de Sanabria, um projeto de 30 milhões de euros que continua sem sair do papel

A Associação Rede Ibérica Ocidental para uma Nova Ordenação Raiana – Rionor, reclama a construção da estrada Bragança-Puebla de Sanabria, que continua sem sair do papel. Para a associação, apesar da proximidade geográfica entre Portugal e Espanha, “o território continua funcionalmente afastado nestes principais eixos de desenvolvimento”.
Agência Lusa
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14 abr. 2026, 10:08

“A ligação de Bragança à Puebla deve ser vista como uma peça em falta para corrigir este desequilíbrio e é há décadas apontada como uma infraestrutura estratégicas, não apenas para a mobilidade local, mas também de uma forma para a integração económica e territorial entre Portugal e Espanha”, afirmou o presidente da Sede da Associação Rede Ibérica Ocidental para uma Nova Ordenação Raiana – Rionor, Luís Meirinhos, que questiona ainda: “se não criarmos as infraestruturas, como é que vamos manter as pessoas?”.

Desde 2017, que a Associação Rionor, sediada em Bragança, reivindica a construção deste troço, que ligará os territórios raianos de Bragança e Puebla de Sanabria, na província de Zamora, e que a entidade entende fazer a diferença “num território cada vez mais envelhecido, quer do lado português, quer do lado espanhol”.

Bragança é a cidade portuguesa mais próxima do comboio de alta velocidade, com estação na Puebla de Sanabria, que liga a Madrid, capital de Espanha. No entanto, a estrada, de 40 quilómetros, até à Puebla de Sanabria, é de curvas e contra curvas, que se traduz num percurso de uma hora.

“A ausência de boas ligações acaba por penalizar trocas transfronteiriças, por exemplo no transporte de mercadorias, porque acaba por aumentar os custos logísticos, os tempos de viagens, os consumos de combustível (…) ou seja, acaba por ser uma perda de competitividade e nós estamos a dois passos de uma autoestrada, a A52, que nos ligaria facilmente à Galiza, a Leão e, no fundo, ao resto da Europa”, apontou Luís Meirinhos.

Inicialmente, a ligação Bragança-Puebla de Sanabria seria financiada pelo PRR, em 29 milhões de euros. O processo começou pelas mãos do social-democrata Hernâni Dias, presidente da câmara de Bragança durante cerca de uma década. Mas, para a obra ser financiada, teria de estar concluída até junho de 2026, sendo que continua ainda em fase de projeto.

De acordo com Luís Meirinhos, as atualizações têm sido poucas. “A última notícia que tivemos foi do lado português, que estão em andamento os estudos da estrada e já começam algumas expropriações dos terrenos onde vai passar supostamente a estrada, que vai ligar na zona de Varge”, rematou.

Este foi um dos assuntos mais badalados na campanha para as eleições autárquicas de 2025. Na altura, em declarações à Lusa, o então presidente da câmara e candidato do PSD, Paulo Xavier, disse que o atraso se devia à falta de um “ponto de entrega”.

"Durante três meses, as equipas fizeram dois pontos de entrega e, com o projeto que já tínhamos, enviamos para a Agência Portuguesa do Ambiente e para o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. Já lá está há praticamente um ano. A única resposta que tivemos foi há 15 dias, de que já está nos gabinetes dos ministros dos Negócios Estrangeiros português e espanhol", referiu Paulo Xavier em outubro do ano passado.  

A atual presidente da câmara de Bragança, eleita pelo PS, Isabel Ferreira, disse que continuam a aguardar a emissão da Declaração de Impacte Ambiental, não havendo previsões para o lançamento do concurso público para a execução da ligação rodoviária.

“Apesar da impossibilidade da execução da obra ser totalmente enquadrada no PRR, resultando na perda de uma oportunidade vantajosa para o município, este executivo não desistiu da obra. Primeiro, junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), procurando acelerar a resposta do parecer relativo ao estudo de impacto ambiental. Depois, junto do Ministro das Infraestruturas e Habitação, para garantir o financiamento necessário à execução da obra”, salientou.

De acordo com a autarca, “as respostas têm sido otimistas” e o município vai “continuar a trabalhar para a boa execução desta infraestrutura fundamental para a economia e dinâmica transfronteiriça”.