Limitação das redes sociais pode levar jovens para a "dark web", alerta PSP
A PSP admitiu esta quarta-feira estar preocupada com uma eventual migração de jovens para a "dark web", uma parte oculta da Internet, na sequência de uma maior limitação do acesso de menores às redes sociais.
"Essa é uma preocupação", afirmou António Santos, do Centro Internet Segura da PSP, ouvido esta quarta-feira na Assembleia da República no âmbito na apreciação na especialidade do projeto de lei do PSD que limita o acesso de crianças e jovens a plataformas 'online' e redes sociais.
Reconhecendo que essa migração aconteceu noutros países europeus que restringiram o acesso de menores às redes sociais, o superintendente alertou que, enquanto antes os fenómenos criminais demoraram dois ou três anos a chegar a Portugal, estes dias é muito mais rápido.
"Já temos situações de redes do Norte da Europa que recrutam através destes meios miúdos de 13 ou 14 anos para a prática de homicídios noutros países", alertou António Santos, antevendo que o recrutamento e a radicalização 'online' serão algo que "daqui a alguns tempos" estará a ser abordado em Portugal.
O projeto de lei dos sociais-democratas foi aprovado na generalidade em 12 de fevereiro de 2026 com os votos favoráveis de PSD, PS, PAN e JPP, a oposição de Chega e IL e a abstenção de CDS-PP, PCP, Livre, BE e do socialista Miguel Costa Matos.
O diploma estabelece que é preciso ter pelo menos 16 anos para aceder a redes sociais como o Instagram, o Tik Tok ou o Facebook e que, entre os 13 e os 16 anos, o acesso só é permitido após o "consentimento parental expresso e verificado".
O debate na especialidade visa aprimorar o projeto de lei inicial antes da aprovação final e decorre nas comissões parlamentares.