Linha do Vale do Sousa entre Valongo e Felgueiras "é vital" para não esquecer

O presidente da consultora Trenmo, Álvaro Costa, considera a Linha do Vale do Sousa vital e o presidente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, Nuno Fonseca, garantiu que não vai permitir que o projeto caia no esquecimento.
Agência Lusa
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"Eu penso que esta linha é fundamental, seja no traçado atual, ou seja, vendo a análise de custo-benefício, poder-se ver se há ali questões que se justificam [fazer] com aquele traçado ou fazer pequenas alterações, mas eu estou convencido que esta linha é vital", disse esta quarta-feira Álvaro Costa numa audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República.

Em causa está um projeto de uma nova linha de 38 quilómetros entre Valongo e Felgueiras, com passagem nos concelhos de Paredes, Paços de Ferreira e Lousada e possível extensão a Amarante, que geraria resultados positivos de quatro milhões de euros por ano e mais sete milhões de passageiros.

Para o consultor, que elaborou um estudo de procura inicial para a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa sobre a linha, "a haver uma linha nova", esta seria "a número um - fora as de alta velocidade - a ser construída, porque se esta não for rentável, nenhuma linha nova será rentável em Portugal".

"Aquela zona tem mesmo de ser amarrada, de uma solução ou de outra, num ferroviário mais pesado, por um traçado ou outro, à estrutura ferroviária do norte do país", considerou o especialista, também professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Segundo Álvaro Costa, "há muitos movimentos e, em alguns casos, são zonas até que atraem em procura" e "não é um movimento só para o Porto".

"Há muito movimento de técnicos do Porto para as fábricas. Portanto, há um movimento nos dois sentidos, o que depois também facilita a justificação de uma linha deste tipo", disse.

No entanto, referiu que após o seu estudo preliminar, "que mostrou que havia hipóteses de ir para a frente" com o projeto, a Infraestruturas de Portugal (IP) "mandou fazer os estudos devidos", clarificando que, no seu entender, o projeto "ainda não está" maduro, "porque o traçado tem um custo muito elevado", que era estimado em 181 milhões de euros no estudo preliminar da Trenmo e será hoje superior.

"Eu vejo isto como um processo que ainda precisa de mais uma iteração para diminuir o custo de investimento", disse, falando ainda na necessidade de uma "análise custo-benefício", que "a IP ficou de fazer este ano", e "enquanto esse estudo não estiver feito, não há forma de perceber tudo o resto", pois só depois "se vai buscar os financiamentos e se faz o cronograma do projeto para entrar em obra".

Já o presidente da CIM do Tâmega e Sousa, Nuno Fonseca, disse esperar que o "estudo custo-benefício não sirva de um artifício para poder encostar a linha do Vale de Sousa a um canto".

"Esta linha não pode nem deve ficar esquecida. E nós, enquanto autarcas, e eu enquanto responsável pela CIM, não vou permitir que isso aconteça", disse o também presidente da Câmara de Felgueiras (distrito do Porto).

Para Nuno Fonseca, "quem pode responder se o Governo quer ou não fazer esta linha é o senhor ministro [das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz] e é o Governo".

"Não quero crer que haja qualquer Governo, independentemente do partido que seja, que não queira fazer esta linha. No dia que eu sentir isso, como é óbvio, vou tomar medidas, também da minha parte, mais afincadas para poder fazer face àquilo que são as nossas necessidades", garantiu o autarca.

Nuno Fonseca disse ainda ter levado do parlamento "a convicção que a linha terá unanimidade quando for proposta na Assembleia da República e naquilo que são os planos de investimento por parte do Governo", assegurando também que os municípios podem ser parte da solução financeira para a sua construção.

Em fevereiro de 2024, ainda no Governo PS, a IP adjudicou os estudos de viabilidade técnica e ambiental da linha, com um prazo de 285 dias para a sua execução.