Mais de 160 concelhos em perigo máximo de incêndio com temperaturas a chegar aos 40 graus
Mais de 160 concelhos de 17 distritos de Portugal continental estão em perigo máximo de incêndio rural, numa altura em que o país enfrenta um agravamento das condições meteorológicas associadas ao tempo quente e seco. A combinação de temperaturas elevadas, humidade muito baixa e vento forte está a aumentar significativamente o risco de ignição e propagação de incêndios em grande parte do território.
Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), os próximos dias serão marcados por temperaturas máximas que poderão atingir os 40 graus em várias regiões do país. A situação será acompanhada por valores de humidade relativa do ar inferiores a 30% na maior parte do território, com fraca recuperação durante a noite, criando condições particularmente favoráveis à ocorrência de incêndios rurais.
O cenário é agravado pela previsão de vento forte nas terras altas, com rajadas que poderão atingir os 70 quilómetros por hora. Esta conjugação de fatores aumenta não só a probabilidade de deflagração de incêndios, mas também a velocidade de propagação das chamas e a dificuldade das operações de combate.
A Proteção Civil alerta que as condições mais críticas deverão sentir-se sobretudo nas regiões do interior Norte, Centro e Algarve, embora o perigo de incêndio muito elevado a máximo se estenda à generalidade do território continental.
O que está proibido
Perante este cenário, encontram-se em vigor várias restrições legais. Nos dias em que o perigo de incêndio é classificado como muito elevado ou máximo, é proibida a realização de queimadas extensivas e de queimas de amontoados.
Também não é permitido utilizar fogo para confeção de alimentos em espaço rural, exceto em locais expressamente autorizados e fora das zonas críticas. Estão ainda proibidas operações de fumigação ou desinfestação em apiários sem dispositivos de retenção de faúlhas.
As restrições abrangem igualmente a utilização de motorroçadoras, corta-matos e destroçadores, equipamentos frequentemente associados ao início de incêndios durante os meses mais quentes. A Proteção Civil recomenda ainda evitar o uso de grades de discos e reforçar todos os cuidados em atividades realizadas no espaço rural.
Cuidados com o calor
Além do risco de incêndio, as autoridades alertam para os efeitos das temperaturas elevadas na saúde. Entre as recomendações estão o aumento da ingestão de água, a utilização de protetor solar com fator superior a 30, o uso de roupa leve e fresca e a permanência em locais protegidos do calor durante os períodos mais quentes do dia.
Crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas são considerados grupos particularmente vulneráveis e devem adotar precauções acrescidas durante este período de calor intenso.
A Proteção Civil recorda que a maioria dos incêndios rurais tem origem em comportamentos humanos e apela ao cumprimento rigoroso das restrições em vigor, sublinhando que a prevenção continua a ser a principal ferramenta para evitar a ocorrência de fogos nos próximos dias.