Mais de 2 milhões de pessoas tem dificuldades financeiras devido a despesas de saúde

A nível mundial, um quarto da população enfrenta dificuldades financeiras devido aos custos que têm de suportar na saúde. Há 1,6 mil milhões de pessoas na pobreza pela mesma razão.
 
Agência Lusa
Agência Lusa
13 mai. 2026, 14:47

Um quarto da população mundial enfrenta dificuldades financeiras devido às despesas de saúde e 1,6 mil milhões de pessoas vivem na pobreza por esse motivo, alertou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados constam do relatório estatístico de 2026 da OMS, que salienta que vários indicadores registam uma evolução lenta e desigual entre várias regiões do mundo para que seja possível alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas (ONU) para a saúde em 2030.

Mesmo com uma redução ligeira de 28% para 26% entre 2015 e 2022, cerca de 2,1 mil milhões de pessoas debatiam-se com dificuldades financeiras devido aos custos que tiveram de suportar com a saúde, incluindo os 1,6 mil milhões que foram “empurradas para a pobreza” por essa razão, refere a agência ONU.

Estas dificuldades financeiras demonstram como esses custos com a saúde “limitam a capacidade das pessoas para cobrir as necessidades básicas ou para adquirir outros bens e serviços”, avisa a OMS.

“Se a taxa média anual de redução de 2015 a 2022 se mantiver, prevê-se que quase uma em cada quatro pessoas em todo o mundo continue a enfrentar dificuldades financeiras relacionadas com a saúde em 2030”, salienta o relatório.

O documento estatístico estima ainda que tenham ocorrido 22,1 milhões de mortes em excesso associadas, direta ou indiretamente, à covid-19 entre 2020 e 2023, aproximadamente três vezes mais do que os sete milhões de óbitos oficialmente reportados em todo o mundo devido à pandemia.

Estes dados incluem a subnotificação de mortes causadas diretamente pelo coronavírus, mas também as indiretas resultantes de interrupções nos serviços de saúde e de constrangimentos económicos e sociais agravados durante o período da pandemia.

“A esperança de vida global e a esperança de vida saudável aumentaram de forma constante de 2000 a 2019, mas a pandemia de covid-19 apagou quase uma década de progresso” nessa área, adianta o documento.

A OMS salienta que, nas últimas duas décadas, os compromissos nacionais e multilaterais proporcionaram “grandes progressos na saúde global”, com reduções significativas na mortalidade materna e infantil, na incidência do VIH e da tuberculose, no consumo de tabaco e de álcool, mas reconhece ser ainda “preocupante” o panorama desigual entre regiões e populações vulneráveis.

“Estes desafios são exacerbados por uma emergência global de financiamento da saúde”, alerta a organização, que estima que a ajuda oficial ao desenvolvimento para a saúde tenha sido 30% a 40% menor em 2025 do que em 2023.

“As reduções repentinas na ajuda representam um risco de interrupção significativa dos serviços essenciais de saúde, além de reduzir o acesso a medicamentos e vacinas essenciais que salvam vidas”, refere a organização.

No que se refere às doenças infecciosas, entre 2010 e 2024 as novas infeções pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) caíram 40%, a taxa de incidência de tuberculose desceu 12% desde 2015 e o número de pessoas que necessitaram de cuidados devido a doenças tropicais caiu 36% desde 2010.

No entanto, a incidência global de malária aumentou 8,5% desde 2015, distanciando-se ainda mais da meta definida para 2030, avança a organização da ONU para a área da saúde.

Já em relação aos fatores de risco, a OMS realça que o consumo de tabaco e de álcool diminuiu desde 2010 e a previsão é que fique muito próximo das metas globais previstas para 2030.

Além disso, entre 2015 e 2024, mais 961 milhões de pessoas obtiveram acesso a água potável de forma segura e 1,2 mil milhões a saneamento básico, mas “milhares de milhões de pessoas ainda não têm acesso a estes serviços” e o acesso nas zonas rurais é mais difícil do que nas cidades.

De acordo com a agência, as taxas de mortalidade materna e de crianças com menos de cinco anos caíram 40% e 51%, respetivamente, desde 2000, mas esta evolução desacelerou recentemente.

A taxa de mortalidade materna em 2023 foi ainda quase três vezes superior à meta definida para 2030 e nenhuma região da OMS está no bom caminho para atingir os ODS neste indicador dentro de quatro anos, salienta a OMS.