Mais de 40% das freguesias do país sem multibanco. SIBS prepara solução para responder ao problema
Quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa multibanco.
Quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa multibanco. Em dezembro, a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) mostrou preocupação com o assunto ao Conta Lá, referindo que esta “é uma situação que não pode continuar em pleno século XXI”. 21 mai. 2026, 14:48 Quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa multibanco (Foto: Lusa / José Sena Goulão)
A SIBS, dona da rede Multibanco, está a trabalhar com várias entidades uma solução para responder à falta de acesso a serviços bancários em várias zonas do país. De acordo com o jornal Público, o projeto está ser trabalhado há vários meses e deverá avançar nas próximas semanas.
O mesmo jornal, que cita fontes ligadas ao setor, refere que a ideia passa por colocar uma espécie de “multibanco social”, num projeto-piloto que inicialmente vai abranger 20 freguesias espalhadas pelo país. A avaliação do projeto vai ditar a continuação da oferta.
Não há ainda informações sobre como será financiado, sabendo-se que envolve entidades públicas e privadas, poder local e central, e que está a ser acompanhado pelo Banco de Portugal.
Quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa multibanco. No distrito de Bragança, por exemplo, 87% das freguesias não dispõem de qualquer meio de acesso a dinheiro físico. Além de Bragança, há outros casos críticos: o distrito de Vila Real, onde 79% das freguesias não tem multibanco, o que corresponde a 43% do total de residentes nesta situação, e a Guarda, com um nível de cobertura que não chega a 37% da população.
Em dezembro, a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) mostrou a sua preocupação com o assunto ao Conta Lá, referindo que esta “é uma situação que não pode continuar em pleno século XXI”.
Um estudo da Deco Proteste mostra que o número de agências bancárias (considerando os cinco principais bancos nacionais, que representam mais de 80% do mercado bancário – BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Novobanco e Santander), baixou em 1.700 entre 2014 e o final de 2024. Ou seja, em apenas dez anos fecharam 48% dos balcões que estavam abertos ao público.
A falta de acesso a agências bancárias e a uma caixa multibanco tem levado os municípios a apostarem no reforço do transporte de passageiros das aldeias mais remotas. A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, explicou ao Conta Lá que a autarquia tem “um transporte facilitado” para as pessoas das aldeias mais remotas “se deslocarem à cidade”.
Já em Miranda do Douro, com 6.298 habitantes, há nove multibancos, mas sete estão concentrados na sede de concelho, um está na freguesia de Sendim e outro em Palaçoulo. Há 10 freguesias que não têm qualquer terminal. A presidente da Câmara, Helena Barril, sublinhou que a situação traz desafios, sobretudo aos residentes das aldeias mais remotas.
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