Marchas Populares encheram as ruas da Covilhã de brilho e animação
No Campo das Festas, deram-se os últimos retoques na maquilhagem e nos adereços. Enquanto elas endireitavam as saias para rodarem melhor, e eles esticavam os casacos cheios de lantejoulas, os membros das bandas filarmónicas do concelho da Covilhã afinavam os instrumentos para acompanhar as doze marchas populares prontas para desfilar.
Ao longe ouvia-se a Marcha do CCD Leões da Floresta. Chegavam ao ponto de encontro enquanto cantavam a música, dedicada este ano às flores e os seus polinizadores. Cristiano Santos, um jovem natural de Manteigas, que já marchou em pequeno fez este ano a estreia a marchar nas ruas da cidade neve. “É bastante acolhedor” afirma, “conseguimos sentir que as pessoas aqui são elas próprias, existe um grande espírito de alegria e de bom humor para com a coletividade e o grupo”.
Cristiano recorda que “alguns sócios mais antigos estiveram a fazer os arcos até às três e quatro da manhã”. Foram cerca de dois meses de preparações e ensaios. Contudo, ainda existe algum nervosismo em acertar todos os passos ao marchar.
Sara, Camila e Joel, três marchantes da Marcha do Académico dos Penedos Altos concordam. Para Joel, a “emoção de entrar num Pelourinho completamente lotado é qualquer coisa”. Sara acrescenta que “é um nervoso miudinho”. Falam de como não se querem enganar. “Para quem não percebe pode estar a correr tudo bem, tudo ok, mas para nós não, porque nos enganamos em alguma coisa”, diz Camila. A marcha deste bairro tem este ano como tema a Alma Beirã.
Tradição
Também de tradições familiares são feitas estas marchas. Júlia e São estão à espera de verem a neta, que vai marchar pela primeira vez, acompanhada pelo pai na Marcha da Campos Melo. “É um sentimento de enorme emoção, não há forma de explicar”, diz São.
“Já tive família, como as minhas irmãs, o meu pai, os meus cunhados, que marchavam logo no princípio [das marchas]”, acrescenta São, “era uma marcha quase só de família”. Também Luísa Costa, marchante da Marcha do Rodrigo, diz que a filha está triste por não poder estar presente, e que “se cá morasse era ela que ensaiava esta marcha”. Recorda que quando a filha era pequena já marchava junto de si, sempre nesta marcha, que este ano tem como tema o verso em flor, enaltecendo o lirismo dos anos 60.
Em dia de Santo António as marchas populares apresentaram-se na habitual atuação na Praça do Município, com casa cheia. No próximo dia 20 regressam, ao fim de vários anos, ao Estádio Santos Pinto para um novo desfile.