Marvão aposta em pastoreio tradicional para reduzir risco de incêndios rurais
A Câmara Municipal de Marvão lançou um programa de apoio ao pastoreio tradicional para reduzir a carga combustível e prevenir incêndios florestais, com incentivos económicos a proprietários e produtores, abrangendo baldios e efetivos pecuários e visando a gestão sustentável de vastas áreas do território.
Numa sessão em que esteve presente o presidente da Câmara Municipal de Marvão, Luís Vitorino, foi apresentado o Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível Através do Pastoreio, uma iniciativa que valoriza práticas tradicionais como ferramenta central na prevenção de incêndios rurais e na gestão sustentável do território.
O programa contempla várias tipologias de apoio. Aos baldios destina-se um incentivo financeiro de 120 euros por hectare, enquanto aos efetivos pecuários são atribuídos pagamentos complementares anuais que podem atingir 30 euros por ovelha ou cabra e 150 euros por bovino. A ambição é abranger até 135 mil hectares de território gerido através do pastoreio.
Além destes apoios, o programa inclui incentivos ao investimento na criação de novas pastagens e à instalação de novos produtores, com um prémio de instalação no valor global de 30 mil euros, a distribuir ao longo de cinco anos.
Segundo os responsáveis municipais, a iniciativa reconhece o pastoreio extensivo como uma ferramenta fundamental para a redução da carga combustível, ao mesmo tempo que contribui para a preservação da biodiversidade, para a valorização das atividades agropecuárias tradicionais e para o aumento da resiliência das paisagens rurais face aos riscos climáticos e de incêndio.
A estratégia segue tendências de inclusão de práticas tradicionais de gestão do território na prevenção de fogos, que em várias regiões têm demonstrado que o grazing (pastoreio) reduz a quantidade de biomassa inflamável, criando fronteiras naturais e diminuindo o risco de grandes incêndios florestais.
O programa de Marvão insere-se também num contexto mais amplo de políticas públicas em Portugal que procuram reforçar a presença de pastoreio e atividades agropecuárias sustentáveis como parte de soluções integradas para a prevenção de incêndios, valorizando ao mesmo tempo o meio rural e a manutenção de práticas culturais antigas.