Mau tempo: Armazém solidário de Leiria encerra na terça-feira após apoio a 53 mil pessoas

O armazém solidário de Leiria encerra na terça-feira, após três meses de funcionamento, período durante o qual apoiou cerca de 53 mil pessoas afetadas pelas tempestades que atingiram o país no início do ano.

Agência Lusa
Agência Lusa
23 abr. 2026, 11:11

O armazém solidário de Leiria vai encerrar na terça-feira após três meses de funcionamento para o apoio a cerca de 53 mil pessoas afetadas pelas tempestades, disse à agência Lusa o vereador Carlos Palheira.

“Os números demonstram a dimensão desta operação solidária: foram distribuídos cerca de 1.750.000 metros quadrados de lona a aproximadamente 42 mil pessoas e cerca de 550 mil telhas a mais de 11 mil pessoas, além de toneladas de cimento, cordas e outros materiais essenciais”, precisou Carlos Palheira.

A criação do “armazém solidário das telhas teve um papel absolutamente extraordinário na resposta às enormes dificuldades sentidas pelas populações no período pós-tempestade”, afirmou este vereador da Câmara de Leiria, que ficou responsável pelo equipamento.

Sublinhando que, após os “fortes ventos, seguiram-se cerca de três semanas de chuva intensa, agravando drasticamente a situação das habitações destelhadas e colocando muitas famílias em cenários de verdadeiro desespero”, Carlos Palheira considerou decisiva a abertura deste espaço.

Segundo o autarca, a resposta do Município de Leiria através da disponibilização de telhas “permitiu resolver muitas situações críticas, enquanto a cedência de lonas ajudou a minimizar os impactos imediatos da chuva”.

A oferta de outros materiais “contribuiu para melhorar as condições de segurança das habitações afetadas”.

Para Carlos Palheira, “tratou-se de uma resposta imediata e de emergência, fundamental no apoio às populações”, que contou com a ação “muito significativa da solidariedade” de empresas e cidadãos, “bem como com o empenho de inúmeros voluntários e militares que apoiaram a receção dos materiais, o armazenamento e a sua distribuição”.

O encerramento do Armazém Solidário nesta fase prende-se com questões de gestão logística e de recursos humanos, informou, uma vez que se verificou uma “diminuição significativa da procura por materiais de construção”.

O armazém encontra-se em funcionamento dois dias por semana, “registando cerca de 15 a 20 atendimentos diários”.

Os munícipes poderão continuar a registar as suas necessidades através da plataforma Reerguer Leiria, sendo posteriormente agendados dia e hora para a disponibilização dos materiais existentes.

Todos os materiais doados estão inventariados e devidamente acondicionados, “não existindo registo de qualquer perda ou deterioração”.

“O material doado será disponibilizado prioritariamente a pessoas em situação de vulnerabilidade económica, bem como a instituições particulares de solidariedade social, clubes, associações e demais entidades sem fins lucrativos”, apontou, frisando que a necessidade será “devidamente confirmada e validada”.

A atribuição dos materiais continuará a ser efetuado mediante pedido prévio das necessidades via plataforma Reerguer Leiria, sinalização e identificação de necessidades pelos Serviços de Ação Social do Município de Leiria e pelas respetivas juntas de freguesia”.

Carlos Palheira garantiu que o “rigor e a transparência na gestão e atribuição dos materiais doados manter-se-ão ao longo de todo o processo, garantindo-se uma distribuição responsável, equitativa e ajustada às necessidades identificadas, até ao esgotamento do 'stock' existente”.

O autarca fez um balanço “extremamente positivo” de todo o processo, que considerou “organizado, disciplinado, participado, transparente e profundamente solidário, demonstrando a capacidade coletiva de resposta perante uma situação de enorme adversidade”.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.