Menos volume e mais qualidade: 2026 traz foco renovado ao turismo em Portugal

Segundo o Barómetro do IPDT, o turismo deverá criar mais receita este ano do que no ano passado, também devido à redistribuição de turistas causada pela instabilidade no Médio Oriente. O setor mantém-se estratégico, com potencial de atrair visitantes de alto gasto, reforçando a economia nacional.
Rui Mendes Morais
Rui Mendes Morais Jornalista
09 abr. 2026, 08:00

O turismo em Portugal deverá continuar a crescer em 2026 e a manter-se como um dos principais motores da economia nacional, apontam as previsões do mais recente Barómetro do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT). O setor estima receber até 34 milhões de hóspedes e arrecadar cerca de 83 milhões de dormidas a nível nacional, confirmando a tendência de crescimento face aos últimos anos.

O presidente do IPDT, Jorge Costa, explicou em entrevista ao Conta Lá, que “este ano, será mais do que tudo, de consolidação do turismo português”, sublinhando que o crescimento mantém-se, mas com outra lógica: menos crescimento em volume e mais foco no valor investido nacionalmente por cada turista. Em 2025, Portugal tinha registado cerca de 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, números que, segundo as previsões deste ano do barómetro, deverão aumentar 1,5 milhões e 0,9 milhões respetivamente. 

A mudança reforça o setor, que aposta na qualificação da oferta, na diversificação de destinos e na redução da sazonalidade. O objetivo passa por melhorar a experiência e aumentar o retorno dos turistas. “O que nós queremos é que cada vez mais o turista possa ter valor acrescentado” salientou Jorge Costa, reforçando que “viajar é cada vez mais sobre o estado de espírito (…), é mais do que uma simples viagem”, destacando a ideia de que hoje o turismo é uma experiência e não significa apenas uma deslocação geográfica. 

Instabilidade mundial pode favorecer o turismo nacional 

O atual contexto internacional tem impacto direto no turismo global, no entanto, pode também ser  visto como uma oportunidade para Portugal, devido à instabilidade no Médio Oriente, que está a levar dezenas de milhares de turistas a reverem os seus destinos. “Turistas que estariam a prever viajar para o Médio Oriente, viajarão mais para o Ocidente”, destacou o presidente da IPDT, salientando que Portugal surge como um dos destinos beneficiados por esta redistribuição, graças à sua segurança, estabilidade política e imagem consolidada que oferece. 

Ainda assim, o especialista sublinha que o “impacto dependerá da evolução dos conflitos internacionais”, admitindo vários cenários, desde o reforço da procura até a um eventual abrandamento global. Para já, o que se perspectiva é um crescimento moderado, acompanhado por uma mudança nos fluxos turísticos.

Turismo em PPortugal continua a crescer em 2026, mas entra numa fase mais exigente

 

Um setor estrutural e impossível de substituir

O Barómetro do IPDT 2026 incluiu uma reflexão sobre o impacto do turismo através da questão: “E se o turismo acabasse?”, sublinhando o papel central do setor na economia e na sociedade. “O turismo não é só o turista que vem e dorme num hotel, significa muito mais”, afirmou Jorge Costa. 

Sem o turismo, os efeitos seriam imediatos e transversais, colocando mais de 339 mil empregos diretos e cerca de 51,2 mil empresas em risco, além de poder ter impacto numa fatia significativa do PIB, que representa atualmente mais do 10%. O setor desempenha ainda um papel crucial na preservação ambiental, “financiando a conservação de parques naturais” a proteção da biodiversidade e promovendo experiências que aproximam diferentes tradições e culturas.

Jorge Costa frisou ainda o potencial do mercado alemão, sendo a nacionalidade que mais gasta em viagens e sublinhando que “dos 90 milhões de alemães que viajam anualmente, apenas cerca de 1,7 milhões visitam Portugal”. “Captar 10% a 15% destes viajantes poderia representar cerca de 300 mil hóspedes, além de 2,4 milhões de dormidas, que resultariam aproximadamente em 500 milhões de euros em receitas”, mostrando a necessidade de apostar na captação deste público.