Ministro da Agricultura acusa dirigentes do ICNF de serem “mentirosos, cobardes e radicais”

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, entrou em confronto com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e apelidou dirigentes de “mentirosos, cobardes e realmente radicais”. Em causa está uma mensagem enviada por vídeo para um encontro entre dirigentes do organismo e membros do governo.
Hugo Santos Gonçalves
Hugo Santos Gonçalves Jornalista
25 jan. 2026, 11:54

“Há dirigentes (poucos) mentirosos, cobardes e realmente radicais” no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), assim escreveu José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar, numa publicação nas redes sociais. As acusações foram motivadas por uma notícia publicada pelo jornal Público, que citava dirigentes presentes num encontro entre o organismo e membros do governo.

No centro da polémica está um vídeo enviado pelo ministro da Agricultura e Mar para uma reunião, em que apenas estavam presentes a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira e com dirigentes do ICNF. A mensagem do vídeo terá desagradado responsáveis do instituto, que a contaram ao jornal.

No relato ao Público, o ministro teria dito que o ICNF estaria a emitir “muitos pareceres negativos” e para se “relativizar a lei”, que poderia ser alterada se estivesse a constituir obstáculos à concretização de projetos. José Manuel Fernandes nega as afirmações e acusa a notícia de ser falsa. 

A mensagem, enviada por vídeo, foi tornada pública após a polémica. Nesta, o ministro agradeceu o trabalho do ICNF e deixou vários pedidos.

O primeiro pedido foi que os dirigentes tomem decisões ponderadas e que se coloquem “no lugar do outro”. A proatividade foi também outro dos pontos em que José Manuel Fernandes tocou. O governante apelou ainda a mais rapidez na resolução de processos pendentes. "Muitas vezes a resposta é que a legislação não o permite. A pergunta que se deve fazer é: a legislação devia permitir? Se devia, o que nós devemos fazer é alterar essa mesma legislação", afirmou.

O responsável pela agricultura defendeu também que a sustentabilidade ambiental tem de ser compatível com a coesão territorial e com a competitividade. O ministro pediu, por fim, bom senso e moderação para combater o radicalismo inimigo do “ambiente, dos valores europeus, da coesão territorial e da competitividade”.

No mesmo texto, publicado em conjunto com o vídeo polémico, o ministro diz haver “dirigentes que mentiram” e que são os mesmos que “estão a empatar, a encravar, a adiar” a concretização de projetos. O responsável pela tutela da Agricultura acusa ainda os chefes do ICNF de serem “os maiores inimigos do ambiente, da democracia e do serviço público”. O governante defende mesmo que os dirigentes se demitam. “Se tivessem vergonha, até porque mentem, demitiam-se”, escreve.