Mogadouro investe em centro interpretativo do Douro Internacional

O município de Mogadouro vai reconverter a antiga Casa dos Magistrados, atual sede do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), num centro interpretativo. Com um investimento de 700 mil euros, a autarquia visa criar um espaço para divulgar a biodiversidade e os valores naturais do Parque Natural do Douro Internacional.
Agência Lusa
Agência Lusa
20 fev. 2026, 17:21

O município de Mogadouro vai investir cerca de 700 mil euros na reconversão da antiga Casa dos Magistrados em centro interpretativo do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), disse esta sexta-feira à Lusa o presidente da Câmara.

Segundo o autarca deste concelho do distrito de Bragança, António Pimentel, este imóvel é municipal e ali já funciona a sede do PNDI, e seria correto avançar com um centro de interpretação dedicado a esta área protegida.

A conversão do edifício avançará no âmbito de um “aviso público dotado de cinco milhões de euros para investimentos no PNDI, a dividir pelos quatro concelhos desta área protegida e pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), tendo este organismo abdicado de grande da verba que lhe foi atribuída, sendo [assim] canalizada para a criação deste centro interpretativo”, explicou o autarca social-democrata.

A obra já foi colocada a concurso por cerca de 634 mil euros de valor base, mais IVA, em que as propostas vão ser abertas no dia 3 de março, e não será necessário o visto do Tribunal de Contas (TdC), devido ao montante envolvido.

“Estou convicto de haverá propostas, e logo a seguir à abertura das mesmas será feito o relatório de análise para depois avançar com as obras”, vincou.

António Pimentel disse ainda que este centro interpretativo do PNDI será dotado de tecnologias modernas.

“Aqui funcionará uma exposição permanente do melhor que o PNDI comporta, em sintonia com o ICNF” e que alberga quatro concelhos, vincou.

Este projeto abrange igualmente a Porta de Entrada no PNDI que será construída a expensas da autarquia e que ficará situada junto à fronteira com Espanha, no Cardal do Douro.

Esta área protegida, que é a segunda maior do país, abrange os concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda.

O PNDI tem 86.834,82 hectares, abrange uma superfície adjacente ao rio Douro, sendo a vegetação dominada pela azinheira (Quercus rotundifolia, localmente conhecida por carrasco), destacando-se ainda a presença de bosques de zimbro (Juniperus oxycedrus), sobreirais (Q. suber) e manchas de carvalho-negral (Q. pyrenaica). 

O Douro Internacional é uma área fundamental para a conservação da avifauna, uma das zonas mais importantes no contexto nacional e mesmo ibérico. 

O destaque vai para as aves rupícolas que nidificam em zonas rochosas, como o abutre-do-egipto (Neophron percnopterus) e a águia-de-bonelli (Aquila fasciata), que por aqui se refugiaram e reproduzem.