Montemor-o-Velho e Soure retiraram centenas de pessoas de casa
No final de uma reunião, em Coimbra, com responsáveis autárquicos, da Proteção Civil e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, disse aos jornalistas que estima que sejam retiradas 300 a 500 pessoas, e que este número inclui moradores que já saíram voluntariamente das suas casas.
As freguesias onde esta operação de retirada de moradores decorrerá são as de Granja do Ulmeiro, Alfarelos e Figueiró do Campo “que estão diretamente em cima da corda do Mondego”, mas também em Samuel e Vinha da Rainha, face às previsões de mau tempo e possibilidade de inundações durante a noite de hoje e manhã de quarta-feira.
“Os presidentes de junta conhecem uma a uma as pessoas que é preciso retirar”, adiantou Rui Fernandes, acrescentando que o município decidiu também “encerrar toda a rede escolar”, não só devido à previsão de chuva forte e vento, mas também “porque, por estes dias, continuam muitos trabalhos nas estradas com quedas de taludes, muros e árvores”.
“O risco existe e vai-se agravar com as chuvas que vamos ter esta noite. Queremos ter mais um dia onde os nossos meios possam trabalhar nas melhores condições possíveis, e há-de tudo correr bem. Estamos preparados, vamos confiar na obra [hidráulica do Mondego] e se o pior acontecer [a quebra das margens do rio] estaremos à altura “, frisou.
“Nestes 15 dias temos adaptado os nossos meios e dispositivos ao risco, este cenário de cheias controladas foi o que nos trouxe até onde estamos hoje. (…)Não há risco zero, mas espero que seja esta a derradeira batalha”, vincou Rui Fernandes.
Já o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, disse que no seu concelho deverão ser retiradas 80 a 100 pessoas, algumas das quais também já saíram voluntariamente de casa.
As localidades que mais preocupam o autarca situam-se na margem esquerda do Mondego – Pereira, Formoselha, Santo Varão e Caixeira – para além da aldeia isolada da Ereira e o Casal Novo do Rio, às portas da sede de concelho.
José Veríssimo apelou à população para manter a serenidade, aludindo ao trabalho que vem sendo realizado pelos meios municipais, em conjunto com a Proteção Civil, bombeiros, Forças Armadas e APA.
“As pessoas todas sabem em tempo real o que está a acontecer, Montemor-o-Velho recebe todas as águas, tem esse risco acrescido”, notou José Veríssimo.