Montemor-o-Velho no centro das preocupações com água a subir rapidamente
O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra disse, esta quinta-feira, que a maior preocupação no território é, neste momento, o concelho de Montemor-o-Velho.
Carlos Luís Tavares disse à agência Lusa que a barragem da Aguieira está a descarregar e, por isso, enquanto não se baixar a pressão no rio Mondego e com toda a água que está a ir para os campos agrícolas, a maior preocupação é o concelho de Montemor-o-Velho e a localidade da Ereira, que já está isolada há alguns dias, neste município.
“Mas também mantemos a preocupação nas margens direita e esquerda (do rio Mondego, entre Coimbra e Montemor-o-Velho), porque não estamos livres de que os diques rebentem. As pessoas têm de manter toda a atenção”, apelou.
A Proteção Civil informou esta quinta-feira que está a ser reforçado um conjunto de barreiras no rio Velho, em Montemor-o-Velho, e que está a acompanhar a situação do Mondego em alerta máximo.
O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, adiantou esta quinta-feira, em conferência de imprensa, que o rio Velho [do Mondego] “está a ser reforçado com um conjunto de barreiras para que, se houver um problema nesse rio, não haja comprometimento da população de Montemor-o-Velho”.
A margem direita do canal principal do rio Mondego partiu esta quinta-feira de manhã e está a canalizar água para o canal de rega em frente à ETAR de Formoselha (Montemor-o-Velho), disse o presidente da Junta de Freguesia de Santo Varão.
Marcelo Gustavo, autarca no concelho de Montemor-o-Velho, explicou à agência Lusa que este canal de rega, que agora está pressionado por mais água do rio Mondego, também partiu uns metros mais à frente, já entre Formoselha (Montemor-o-Velho) e Granja do Ulmeiro (em Soure), e está a distribuir água para os campos agrícolas da margem direita, já sobrecarregada de água.
Água subiu meio metro em quatro horas junto a Montemor-o-Velho
A água acumulada nos campos agrícolas do Baixo Mondego, potenciada pelo rebentamento da margem direita do canal principal do rio, na quarta-feira, subiu cerca de meio metro junto a Montemor-o-Velho em cerca de quatro horas.
A reportagem da agência Lusa constatou a subida das águas na zona sudeste desta vila do Baixo Mondego, junto à localidade de Casal Novo do Rio – umas das povoações ameaçadas por inundações nas próximas horas – que cobriu totalmente os acessos ao centro náutico local, e tapou sinalização de trânsito.
Entretanto, o município alertou para o “risco elevado de inundação”, abrangendo, para além do Casal Novo do Rio, Montemor-o-Velho, Lavariz e Ereira.
A Câmara de Montemor-o-Velho pediu à população para que prepare o kit de emergência, com roupa, medicação, documentos de identificação e bens essenciais, prevenindo a eventual necessidade de evacuação.
Como locais de segurança, a Câmara apontou o Pavilhão Municipal de Montemor-o-Velho e, na Ereira, a Associação Cultural Desportiva e Recreativa.
Naquela zona do Casal Novo do Rio, que a Lusa constatou, a inundação nas estradas e campos agrícolas tem mais de 1,5 metros de altura em certos locais. A água está a acumular-se em mais quantidade e a exercer pressão sobre a margem esquerda do leito periférico direito, o canal artificial que leva a água das localidades a nordeste, junto à estrada nacional (EN) 111, para o canal principal do Mondego, a sul – a exemplo do sucedido nas cheias de 2019.
O leito periférico direito apenas consegue descarregar água no leito principal do rio se este estiver a uma cota inferior, o que não tem acontecido.
No mesmo local, o chamado leito abandonado do Mondego – que corre ao longo da zona ribeirinha de Montemor-o-Velho em direção à isolada povoação da Ereira – passa por debaixo do leito periférico direito por uma canalização e sistema de sifões, uma zona conhecida pela população como a ‘embrulhada’ de Montemor.
Meios da Força Especial de Proteção Civil, com uma embarcação, e dos bombeiros de Montemor-o-Velho estão no local, junto à ponte das Lavandeiras, de prevenção.
Já elementos da Federação Portuguesa de Remo e da associação Naval Remo, da Figueira da Foz, têm vindo a retirar do Centro Náutico equipamentos desportivos da modalidade, com recurso a uma embarcação.
Durante um dos regressos à ponte das Lavandeiras, os dirigentes desportivos resgataram, no meio do lago enorme que se formou na última semana, um texugo, aparentemente em dificuldades.
O animal foi transportado para terra firme e logo saltou do bote para a margem e correu para uma zona de vegetação.