Morreu o escritor António Lobo Antunes

Nascido em Lisboa em 1942, António Lobo Antunes formou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria antes de se dedicar totalmente à escrita. A carreira literária iniciou-se em 1979 com a publicação de Memória de Elefante, seguida no mesmo ano por Os Cus de Judas. Morreu esta quinta-feira aos 83 anos.
Agência Lusa
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05 mar. 2026, 09:24

O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu hoje aos 83 anos, confirmou à Lusa fonte editorial.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

“Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever”, declarou o escritor à agência Lusa, em 2004, quando já tinha recebido o Prémio União Latina (2003) pelo conjunto da obra, e a lista de distinções já ia do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Melhor Livro Estrangeiro publicado em França ("Manual dos Inquisidores") e ao reconhecimento pela Feira do Livro de Frankfurt (1997), na Alemanha.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

A República Portuguesa condecorou-o com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.

 

"Ocupa um lugar incontornável na nossa cultura", diz António José Seguro

O Presidente da República eleito, António José Seguro, recebeu a notiícia da morte do escritor com “enorme tristeza”, cuja obra considerou “profundamente marcada pela lucidez” e “exigência moral” para com o país e a condição humana.

“A sua obra, profundamente marcada pela lucidez, pela memória e pela exigência moral com que olhou o país e a condição humana, ocupa um lugar incontornável na nossa cultura. Ao longo de décadas, os seus livros desafiaram leitores, abriram caminhos na literatura e deram à língua portuguesa uma expressão singular de intensidade e verdade”, escreveu António José Seguro na rede social Instagram.

 

"Continuará a inquietar-nos e inspirar-nos", escreveu Luís Montenegro

 O primeiro-ministro recordou António Lobo Antunes como “uma figura maior da cultura portuguesa”, dizendo que o seu legado deve continuar a inquietar e a inspirar todos.

“Presto muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos”, escreveu Luís Montenegro, numa publicação na sua conta oficial na rede social X.

O primeiro-ministro expressou ainda, em seu nome e do Governo, “as mais sentidas condolências à família e aos amigos”.

 

"Grandeza literária de um país territorialmente pequeno", reage Marcelo Rebelo de Sousa

Numa nota de pesar publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa considera que Lobo Antunes deixa "uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria" e refere que "ninguém terá sido mais imitado pelas gerações seguintes".

"Seu leitor, admirador e amigo há décadas, pude em 2022 atribuir-lhe as insígnias da grã-cruz da Ordem de Camões, com a certeza de que poucos representaram tão bem a grandeza literária de um país territorialmente pequeno. Vou agora depositar junto dele o grande-colar da mesma ordem, símbolo máximo da literatura portuguesa", acrescenta o chefe de Estado.

 

Ministra da Cultura também lamentou a morte do escritor

A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, também lamentou a morte do escritor, considerando-o um escritor maior e intérprete sensível, que deixa um legado inesquecível. “É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas”, disse a ministra da Cultura numa mensagem divulgada na rede social X.