Municípios lançam plataformas para levantamento de prejuízos
A Câmara de Leiria lançou esta segunda-feira a plataforma Estragos.pt para os munícipes reportarem os danos originados pela depressão Kristin, anunciou o presidente, Gonçalo Lopes.
“O canal ‘Estragos’ é uma iniciativa da Câmara com o apoio da Tekever (fabricante de drones), onde queremos que todas as pessoas, instituições, possam registar os seus estragos”, afirmou aos jornalistas Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou o seu centro de operações.
O autarca apelou para que “todas as pessoas, quando tiverem condições e sem correr riscos”, fotografem os seus estragos, “em especial no seu património habitacional, nos edifícios”, e que enviem para essa plataforma.
De acordo com o autarca, aquela empresa já fez “voos de reconhecimento em muitos espaços” de parte da cidade, mas vai continuar “esse trabalho, para que seja útil”, não só para o trabalho do município, mas, sobretudo, para as pessoas afetadas, nos pedidos de auxílio que vão ser necessários no âmbito da reconstrução.
Entretanto, a Câmara criou o endereço eletrónico reerguerleiria@cm-leiria.pt para pessoas e empresas que queiram entregar bens poderem obter informação.
“Estamos a viver momentos em que o povo português está a ser extremamente solidário, ao qual estamos muito agradecidos, temos muitos pedidos, mas também temos, felizmente, muitas pessoas e empresas a quererem ajudar”, declarou.
Também em Penela surgiu uma forma de reportar os danos. O presidente da Câmara de Penela disse esta segunda-feira que o concelho ainda está “virado de pernas para o ar”, que há preocupações com falhas de energia, comunicações e casas danificadas, e anunciou a reabertura das escolas para o segundo semestre.
O autarca do distrito de Coimbra anunciou que foi criado o contacto de e-mail – danos@cm-penela.pt – para o reporte de danos e ocorrências.
“O volume de contactos pode ser muito grande e assim criámos uma caixa de correio própria”, explicou.
Eduardo Nogueira dos Santos disse ainda que vai pedir instruções à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para saber como vai ser feito o levantamento dos estragos pedido pelo Governo às CCDR e quais os apoios disponibilizados.
Eduardo Nogueira dos Santos descreveu um concelho ainda “virado de pernas para o ar” e disse que, ao sexto dia após a depressão Kristin, “há uma série de pessoas que ainda não tem energia elétrica nas suas habitações”.
“E isso é das questões que nos preocupa mais”, salientou à agência Lusa, apontando ainda preocupações com a falta de comunicações e contabilizando “muitas centenas” de casas danificadas a diferentes níveis.
Questionado sobre se já tem uma ideia do valor dos prejuízos, o autarca respondeu que “é demasiado significativo” para já se ter uma noção.
“Entre edifícios públicos, privados e empresas, muitos milhões de euros”, referiu, frisando que, nesta primeira fase, a “preocupação é com as pessoas e o seu bem-estar”, e limpar as vias de comunicação.
Para mitigar as dificuldades, a Câmara disponibilizou um hostel municipal para acolher moradores afetados por danos em casas e, segundo o presidente, muitos aproveitaram o fim de semana para fazerem reparações nas suas habitações e mitigar os problemas.
“Esta noite tivemos mais um conjunto de constrangimentos. Mais telhados, mais árvores, não foi comparável com o dia 28, mas tivemos mais um conjunto de situações, o que nos obrigou a dar aqui um passo atrás, porque foram, de facto, mais danos e mais problemas”, referiu.
O município disponibilizou as piscinas municipais para quem necessitar de tomar um banho de água quente e tem, espalhadas pelo concelho, equipas multidisciplinares para prestar apoio à população e identificar potenciais problemas.
“Temos um serviço de contacto com as famílias também em funcionamento uma vez que há zonas do concelho onde alguns operadores ainda não têm serviço”, afirmou, referindo que o serviço de fibra ótica e telefone fixo “ficou muito afetado”, o mesmo acontecendo nas comunicações móveis.
No concelho há ainda um espaço para teletrabalho, foram criados espaços para a deposição de resíduos de obras e florestais e, apesar de algumas limitações, as escolas do concelho reabriram esta segunda-feira para o segundo semestre.