Museu do Brincar, um espaço que une gerações e onde "as crianças se esquecem de qualquer equipamento digital"
O som dos telemóveis dá lugar ao das brincadeiras e gargalhadas. O Museu do Brincar, em Vagos, permite a miúdos e graúdos redescobrir a infância, muitas vezes através de brinquedos e jogos que atravessaram gerações.
O museu, fundado em 2012 e municipalizado em 2023, atrai visitantes de várias partes do país. O espaço recebe famílias, escolas, instituições e associações que procuram uma experiência diferente, ou seja, um museu onde não se contempla apenas as peças expostas, mas onde se brinca com elas. Muitos dos objetos podem ser tocados e os visitantes são convidados a explorar diferentes cenários.
O espaço apresenta ainda áreas temáticas, que recriam ambientes e brinquedos de diferentes épocas, desde um castelo medieval a uma réplica de uma casa gandaresa, isto é, uma casa típica da região, passando por inúmeros brinquedos, muitos deles feitos a partir de materiais simples, como latas reutilizadas.
Artur Rosa, coordenador do museu, afirma que o propósito do espaço não se resume apenas à exposição das peças, mas sim a um papel de intervenção da própria experiência de brincar: “Mais do que um espaço com brinquedos, este é um espaço que faz a mediação do brincar”, explicou ao Conta Lá.
Entre as zonas que mais fazem as delícias dos visitantes estão a cozinha e a pastelaria infantil, onde as crianças recriam atividades do quotidiano ou o pequeno teatro onde os mais pequenos podem vestir figurinos, brincar com fantoches e participar em atividades criativas.
O museu inclui ainda um espaço dedicado à multiculturalidade, onde são apresentados brinquedos de diferentes países. Esta iniciativa visa refletir a diversidade crescente no concelho, onde o agrupamento de escolas integra atualmente cerca de 27 nacionalidades: “Brincar tem esta particularidade: liga gerações e também culturas”, destacou o responsável do museu.
Para a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Vagos, Graça Gadelho, a integração do museu na esfera municipal representa um compromisso com o seu valor. Entre a alegria das crianças e as recordações dos mais velhos, a autarca afirma que a componente interativa tem marcado a experiência de quem visita o espaço: "É um museu onde reina a palavra felicidade porque traz memórias a quem é mais velho e cria memórias nas crianças”, afirma a autarca ao Conta Lá.
Num mundo onde o digital começa a dominar o dia a dia das crianças, dentro do museu a regra parece inverter-se. Artur Rosa afirma que quando se entra no espaço, os telemóveis são deixados de lado. “As crianças esquecem-se de qualquer equipamento digital. Brincar acaba por ser o ponto de ordem”, afirma.
Além da componente lúdica, a dimensão pedagógica é também um dos propósitos defendidos neste projeto. Vários estudos académicos defendem que a “o brincar” desempenha um papel de extrema importância no desenvolvimento cognitivo e motor das crianças, bem como na socialização e na obtenção de regras e valores. De acordo com Artur Rosa, estes são os princípios a que o museu procura responder através das atividades e da interação com os brinquedos.
Para além das visitas ao museu, o projeto também se estende ao exterior através do programa “Museu Fora de Portas”, que leva atividades e brinquedos a escolas, instituições e associações.
Em 2025, cerca de 21 mil pessoas passaram pelo Museu do Brincar, um número que, segundo a equipa, reflete a procura por um espaço que é levado muito a sério.