No Alentejo, pede-se uma linha férrea "com qualidade"
O documento é dirigido ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação, tutelado pelo ministro Miguel Pinto Luz, pela Comissão de Utentes em Defesa da Linha do Alentejo. Trata-se de um grupo apartidário composto há um mês por cerca de 10 cidadãos que dizem não poderem "continuar em silêncio".
Em declarações à agência Lusa, Lucília Lampreia, membro representante da comissão no distrito de Beja, explicou que a petição pretende reunir 7500 assinaturas e exigir ao Governo "medidas concretas que devolvam ao Alentejo uma ferrovia digna, moderna e ao serviço da população e da região".
"Sentimos a necessidade de não continuarmos calados e não deixarmos que o poder político, que o Governo, olhe para nós com outros olhos. Temos mesmo de reagir e tentar mudar o sentido das coisas", afirmou.
A petição pública é lançada esta sexta-feira com iniciativas dinamizadas nas diferentes estações ferroviárias alentejanas à hora das chegadas do comboio, a começar em Vendas Novas (18h10), seguindo-se Casa Branca, Évora, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia, Cuba e Beja (19h20).
A recolha de assinaturas será feita em formato online e presencial "entre amigos, eventos e no terreno".
A comissão pede a modernização das carruagens, a colocação de mais comboios a circular diariamente e a eletrificação da linha.
"Entre Beja e Casa Branca, as carruagens são antigas [e] muitas vezes o ar condicionado não funciona. Por exemplo, no pico do verão, em julho e agosto, chega-se a atingir os 50 graus [dentro do comboio] e no inverno é muito frio", adiantou Lucília Lampreia.
Além desta situação, a representante afirmou que nos "últimos tempos" o regresso "ao final do dia", proveniente de Lisboa a Beja, tem registado "hora e meia de espera", com os passageiros "que deveriam chegar a Beja por volta das 21h20 a chegarem quase às 23h00".
Segundo Lucília Lampreia, a comissão exige também, "de imediato", o restabelecimento da ligação a novos ramais no Alentejo "para ligar a região a todo o território nacional", em especial a ligação entre Casa Branca, Beja e Funcheira e ao aeroporto de Beja.
A oferta do serviço de passageiros da linha de Vendas Novas, que liga as linhas do Alentejo à do Norte, e o aproveitamento integral da nova linha Évora-Elvas são outras das propostas reivindicadas.
Para Lucília Lampreia, a medida do Passe Verde Ferroviário, um título de transporte da CP - Comboios de Portugal que permite a circulação por todos o país pelo valor de 20 euros por mês, é "ótima", mas tem levantando diversos constrangimentos na região.
"Diariamente é sempre um constrangimento para se conseguir marcar, a plataforma não funciona e depois [quando se consegue aceder] já não há lugares, [mas] a partir de Beja não temos outra alternativa a não ser os autocarros", assegurou.
De acordo com a responsável, "quem vai trabalhar e tem de entrar no serviço às 09h00 ou quem tem consultas em Lisboa não pode não ter um transporte alternativo para chegar a horas aos locais".
"Queremos tentar mudar as coisas para melhor, [ou] pelo menos minimizar estes transtornos todos que nos estão a acontecer diariamente", sublinhou.