Novo curso de Medicina da UTAD envolve hospitais e centros de saúde da região
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e 18 municípios da região assinam na sexta-feira, em Vila Real, um memorando para a colaboração no âmbito do curso de Medicina que abre em 2026/27, foi divulgado esta quarta-feira.
A assinatura do memorando acontece no dia em que a UTAD comemora 40 anos e envolve autarquias que estão abrangidas pela Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), parceira na criação do Mestrado Integrado em Medicina.
Segundo informação da academia, os acordos com os municípios vão permitir que os futuros estudantes do curso de Medicina da UTAD realizem atividades de prática clínica nas Unidades de Saúde Familiar (USF) dos respetivos concelhos, promovendo o ensino acompanhado em contexto real.
Na cerimónia de aniversário da universidade, instalada em Vila Real, vão estar presentes o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e as secretárias de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, e da Saúde, Ana Povo.
No próximo ano letivo, a oferta formativa da UTAD vai ser reforçada com três novos cursos: Medicina (40 vagas), Psicomotricidade (30 vagas) e Tecnologias dos Espaços Verdes (25 vagas), além do aumento de vagas (75 no total) na licenciatura em Educação Básica.
No total, a universidade vai disponibilizar 1.788 vagas no Concurso Nacional de Acesso (CNA).
Em fevereiro, quando foram conhecidas as vagas no CNA, a vice-reitora para a Educação e Qualidade, Carla Amaral, explicou, a propósito do Mestrado Integrado em Medicina, que o “curso se encontra na fase de identificação e contratação do corpo docente, bem como de aquisição de material e equipamentos”.
“O curso assenta fortemente na simulação médica, pelo que estamos a preparar a aquisição de equipamentos e a adequação de espaços para acolher os novos estudantes, adaptados às metodologias de ensino e aprendizagem que preconizamos”, afirmou citada em comunicado.
A proposta da UTAD passa pela admissão de 40 alunos por ano, um número máximo que se pretende manter ao longo dos seis anos do curso, e o plano de estudos assenta o ensino em pequenos grupos, em casos clínicos e também na simulação, para o que será criado um centro de simulação na ULSTMAD, que agrega os hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego, bem como 23 centros de saúde.
Nos últimos meses, uma equipa da academia, liderada pelo reitor interino Jorge Ventura, reuniu com os autarcas e, a propósito destes encontros, a UTAD disse que se quer manter a ligação entre os estudantes e a USF de referência ao longo de todo o ciclo de formação, permitindo “um acompanhamento contínuo dos utentes e incentivando a criação de laços que facilitem uma futura integração de profissionais de saúde nestes territórios”.
Referiu ainda que se pretende reforçar “a ligação entre o ensino superior e o território, contribuindo para a qualificação dos serviços de saúde locais, para a fixação de jovens profissionais e para a melhoria da resposta prestada à população”.
O dia de aniversário começa com a reunião plenária do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), decorrendo depois uma visita ao Laboratório PRISM, para dar a conhecer soluções desenvolvidas pela UTAD para a deteção e monitorização de eventos naturais, como cheias e incêndios, bem como para a avaliação de infraestruturas e património, incluindo edifícios, monumentos e pontes.
A cerimónia solene do 40.º aniversário acontece à tarde.
A UTAD vive numa crise institucional há um ano devido a um impasse na constituição do Conselho Geral e tem, neste momento, um reitor interino nomeado pelo ministro da Educação.
Depois de uma decisão recente do Supremo Tribunal Administrativo, o reitor notificou os sete elementos cooptados para o Conselho Geral, o que poderá levar à instalação completa deste órgão e, consequentemente, à marcação da eleição para o reitor.