Número de partos volta a crescer em Portugal e mães estrangeiras representam quase três em cada dez nascimentos

O número de partos voltou a crescer em Portugal em 2025, impulsionado pelo aumento dos nascimentos no Norte e pelo peso crescente das mães estrangeiras.
Sofia Dias Olmedo
Sofia Dias Olmedo Jornalista
08 jun. 2026, 16:03

Portugal registou 87.130 partos em 2025, mais 3.071 do que no ano anterior, o que representa um crescimento de 3,7%. Os dados confirmam uma inversão da quebra observada entre 2023 e 2024 e reforçam a tendência de recuperação da natalidade que se vinha a verificar desde 2022.

Segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o aumento foi particularmente expressivo na região Norte, onde o número de partos cresceu 5,9%, destacando-se como a região com maior subida relativa do país.

Os dados revelam também uma transformação cada vez mais evidente no perfil das mães que dão à luz em Portugal. Em 2025, 28,8% dos partos foram de mulheres de nacionalidade estrangeira, uma subida face aos 26,3% registados em 2024. Isto significa que praticamente três em cada dez bebés nasceram de mães estrangeiras.

A distribuição geográfica destas parturientes concentra-se sobretudo nos municípios do Algarve e da Grande Lisboa, regiões que têm registado um crescimento significativo da população imigrante nos últimos anos. Entre as nacionalidades estrangeiras mais representadas mantém-se o Brasil, responsável por 10,5% do total de partos ocorridos em Portugal durante 2025. O conjunto das nacionalidades mais presentes nas maternidades portuguesas manteve-se semelhante ao observado no ano anterior, embora com um peso cada vez maior no total de nascimentos.

Outra tendência confirmada pelos números é o adiamento da maternidade. Ao longo das últimas duas décadas, a idade das mães tem aumentado de forma consistente. Em 2003, apenas 17,2% dos partos correspondiam a mulheres com 35 ou mais anos. Em 2025, essa proporção atingiu os 32%, quase o dobro do registado há 20 anos.

O impacto desta realidade é particularmente visível nos partos gemelares. Em 2025, 40,4% dos partos de gémeos ocorreram em mães com 35 ou mais anos, enquanto nos partos simples a proporção foi de 31,9% para a mesma faixa etária.

Os dados evidenciam, ainda, uma evolução significativa na forma como os bebés nascem em Portugal. Entre 1999 e 2024, a percentagem de cesarianas realizadas em ambiente hospitalar aumentou de 27,1% para 38,6% do total de partos, refletindo uma tendência que tem vindo a ser acompanhada por profissionais de saúde e especialistas em obstetrícia.

Apesar da recuperação do número de partos observada nos últimos anos, Portugal continua a enfrentar desafios demográficos estruturais, marcados pelo envelhecimento da população e pelo adiamento da maternidade. Ainda assim, os números de 2025 mostram sinais de crescimento dos nascimentos e confirmam o papel crescente da população estrangeira na dinâmica demográfica do país.