"O Norte e o Sul do país não têm ideia do que está a acontecer na região Centro"

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, destacou que os prejuízos devido ao mau tempo são “bastante acima” dos valores registados nos incêndios de 2024 ou 2025.
Manuel Portugal
Manuel Portugal Jornalista
João Miguel Silva
João Miguel Silva Repórter de imagem
30 jan. 2026, 13:25

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, reconheceu esta sexta-feira, que o a dimensão do problema causado pela depressão Kristin nos concelhos da região Centro "é muito grande". O governante reconhece que os prejuízos são "bastante acima” dos valores registados nos incêndios de 2024 ou 2025.

“Eu fui fazendo as minhas contas, evidentemente, ao ouvir a descrição do que estava a ser feito e vou criando um número na minha cabeça, mas são números muito redondos. O que eu lhe digo é que são números bastante acima daquilo que foram os prejuízos nos incêndios do ano 2025 ou do ano 2024”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.

O ministro falava aos jornalistas após uma reunião, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, com autarcas e outras entidades, na sequência do impacto da depressão Kristin.

“Desta reunião de hoje, eu não pude trazer um número da quantidade dos prejuízos. A esmagadora maioria dos autarcas não arrisca - e compreensivelmente - dar um número de qual é que é o montante de prejuízos de cada concelho. Portanto, é impossível chegar a um valor global”, declarou.

Castro Almeida admitiu que o Norte e Sul do país “não têm ideia do que está a acontecer no Centro”, sobretudo na região de Leiria, onde vários concelhos apresentam problemas de “grande severidade”.

O ministro reconheceu que, devido ao facto de “muitíssimas fábricas” estarem sem teto e sem “condições de trabalhar”, a situação “vai mexer nas cadeias de produção”, o que “vai ser um problema sério”.

Por outro lado, admitiu que o impacto da depressão vai obrigar a mudar prioridades em termos de investimento das câmaras.

“Uma das coisas que estivemos a ver foi que há obras que estão a ser construídas com financiamento do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], têm prazos estritos para serem cumpridos e isto vai dificultar o cumprimento dos prazos”, reconheceu.

Adiantando ter pedido aos autarcas para fazerem chegar essas situações ao Governo, para o executivo “obter compreensão de Bruxelas para esses prazos, que são muito rigorosos”, Castro Almeida observou: “Se uma escola está a ser construída e se a grua vem abaixo e se os telhados vêm abaixo e o que estava construído vem abaixo, vamos ter de, necessariamente, mexer nestes prazos”.