O vinil voltou e ficou: a fábrica portuguesa que dá música a um mundo inteiro

Chama-se Audiowax, abriu portas em abril do ano passado e produz discos de vinil para vários países. Em plena era digital, esta fábrica portuguesa prova que o vinil está de volta e veio para ficar.
Pedro Marcos Editor de imagem
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
João Lacerda
15 jan. 2026, 20:00

Num armazém industrial na Maia, no distrito do Porto, uma fábrica abriu portas para responder a uma procura que parecia quase extinta: a produção de discos de vinil. A Audiowax começou em abril de 2025 e foi fundada por três empreendedores com diferentes percursos, desde a música até à economia. Em comum, partilham uma paixão pelo formato de vinil, sobretudo pela sua dimensão física e pelo ritual de ouvir um disco, algo que, para eles, vai muito além de uma simples reprodução musical. 

O percurso dos três sócios começou enquanto clientes de uma fábrica de vinil. Da relação comercial nasceu a parceria que deu origem à Audiowax, um projeto dedicado a uma arte que continua a ser valorizada no universo da música.

Embora seja considerado um formato de nicho, tem conquistado um público cada vez mais diversificado, que inclui tanto colecionadores tradicionais como ouvintes mais jovens e interessados em viver uma experiência analógica. 

A Audiowax tem beneficiado desta tendência, com uma carteira de clientes maioritariamente internacional, provenientes de países como o Japão, Brasil, Estados Unidos, Argentina ou Austrália. Esta procura coloca a fábrica portuguesa no mapa global de produção de vinil, o que promove a capacidade do país em responder a desafios de mercado que muitos já consideravam ultrapassados.

Apesar de terem iniciado a atividade há menos de um ano, a Audiowax já produziu duas dezenas de edições e mantém um ritmo diário de produção de cerca de 700 discos. Esta fábrica é a segunda em funcionamento no país dedicada à prensagem de vinil, o que representa ser uma aposta na reconversão da tecnologia tradicional para os mercados contemporâneos. 

O projeto ilustra como um formato clássico e analógico continua a gerar interesse onde o digital predomina a sociedade moderna, não apenas como peça ou objeto de coleção, mas como um espaço de experiências e identidade musical.