Óbidos candidata-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028

Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015 e palco de dois festivais literários, Óbidos quer utilizar esta experiência e o trabalho já desenvolvido para fazer da Literatura “uma verdadeira política pública”. Um dos elementos estruturantes da proposta é a criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento.
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
18 jun. 2026, 14:35

Óbidos anunciou oficialmente a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028. O município assume que o desafio é uma "oportunidade para lançar o debate e promover uma reflexão sobre o papel da Cultura no desenvolvimento de Portugal e das comunidades".

“Óbidos acredita que chegou o momento de afirmar uma nova centralidade para a Cultura nas políticas públicas. Não como um setor periférico da ação do Estado, mas como um investimento estratégico no desenvolvimento do país. Investimento em conhecimento, em educação, criatividade, em pensamento crítico, em participação cívica e em coesão social”, afirmou o presidente da Câmara, Filipe Daniel, numa nota divulgada pela autarquia.

Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015 e palco de dois festivais literários, Óbidos quer utilizar esta experiência e o trabalho já desenvolvido para fazer da Literatura “uma verdadeira política pública”.

“Uma política pública capaz de aproximar escolas e bibliotecas, apoiar a criação artística, reforçar hábitos de leitura, qualificar a democracia, combater desigualdades, valorizar os territórios, e criar oportunidades para as novas gerações”, lê-se no comunicado do município.

A candidatura propõe uma reflexão "sobre o lugar de Portugal no mundo", que passa pela valorização da sua "condição atlântica" e da "língua portuguesa".

“Mais de 300 milhões de pessoas partilham hoje a língua portuguesa como espaço de criação, cooperação e circulação de conhecimento. Óbidos acredita que Portugal deve assumir plenamente essa responsabilidade histórica e essa oportunidade de futuro, posicionando-se como o grande hub transatlântico de criatividade, conhecimento e cooperação cultural entre a Europa, África e a América Latina”, destaca a nota.

Um dos elementos estruturantes da proposta é a criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento, uma grande infraestrutura cultural, concebida como biblioteca contemporânea, centro de criação artística, espaço de investigação, auditórios, galerias, residências criativas e fóruns de participação coletiva. Um equipamento que integrará igualmente um Centro de Internacionalização da Língua Portuguesa, dedicado à tradução, à diplomacia cultural, à formação, à investigação, e à circulação de autores e criadores dos países da CPLP.

A candidatura pretende mobilizar cidadãos, escolas, universidades, instituições culturais, agentes criativos, entidades sociais, parceiros nacionais e internacionais, bem como a região Oeste, em torno de um projeto participado, aberto e com ambição europeia.

Pilar del Río, José Eduardo Agualusa, Mia Couto, Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso e Tatiana Salem Levy são alguns dos embaixadores da candidatura.

A cidade vencedora será conhecida a 9 de dezembro e à semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de 1 milhão de euros.