Obra de restauro no Aqueduto das Águas Livres terá duração prevista de 800 dias

A EPAL garante que o Aqueduto das Águas Livres, inscrito na lista indicativa de Património Mundial da UNESCO desde 2017, mantém as condições de integridade e autenticidade para a candidatura.
Agência Lusa
Agência Lusa
04 mar. 2026, 18:35

O Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, vai ser alvo de uma obra de consolidação estrutural e de conservação e restauro de 16 lanternins no vale de Alcântara, num investimento estimado de 850.000 euros, revelou hoje a empresa EPAL.

“A intervenção integra o programa de manutenção, conservação e restauro do sistema do Aqueduto das Águas Livres, Monumento Nacional [desde 1910], e tem por objetivo assegurar a sua estabilidade, integridade material e valorização patrimonial, de acordo com as boas práticas de salvaguarda do património edificado”, indicou a EPAL - Empresa Portuguesa das Águas Livres, em resposta à agência Lusa.

Sobre o calendário da intervenção, a EPAL disse que aguarda a emissão de parecer prévio favorável por parte da Câmara Municipal de Lisboa, referindo que tal é condição necessária para o lançamento do concurso público.

Em reunião privada, a câmara de Lisboa decidiu hoje, por unanimidade, emitir parecer prévio favorável, não vinculativo, quanto à viabilidade da obra de conservação e de restauro do património pétreo integrante dos lanternins do Aqueduto das Águas Livres, no troço do vale de Alcântara, na freguesia de Campolide.

Subscrita pelo vereador do Urbanismo, Vasco Moreira Rato (independente indicado pelo PSD), a proposta refere que o instituto público Património Cultural emitiu, em agosto de 2025, “parecer de aprovação condicionada”, através do qual refere a necessidade de ser submetido o relatório final da intervenção “após a conclusão dos trabalhos e no prazo de 30 dias”.

De acordo com a EPAL, após lançamento do concurso público para esta intervenção, “estima-se um prazo de cerca de 180 dias para o procedimento concursal e um prazo de execução da obra de aproximadamente 800 dias”, e o investimento previsto é de 850 mil euros.

Construído entre 1731 e 1799, o Aqueduto das Águas Livres constituiu um vasto sistema de captação e transporte de água, por via gravítica, sendo considerado “uma obra notável da engenharia hidráulica”, lê-se no ‘site’ da EPAL, que realça ainda a classificação como Monumento Nacional desde 1910.

“O sistema, que resistiu ao terramoto de 1755, é composto por: um troço principal, de 14 quilómetros de extensão, com início na Mãe de Água Velha, em Belas (Sintra), e final no reservatório da Mãe de Água das Amoreiras, em Lisboa; vários troços secundários destinados a transportar a água de cerca de 60 nascentes; e cinco galerias para abastecimento de cerca de 30 chafarizes da capital”, refere a empresa.

De acordo com a EPAL, a arcaria do vale de Alcântara, numa extensão de 941 metros, é composta por 35 arcos, incluindo, entre estes, “o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65,29 metros de altura e 28,86 metros de largura”.

No final de janeiro deste ano, a associação Fórum Cidadania Lx alertou para o estado de sujidade do troço do Aqueduto das Águas Livres junto ao Jardim das Amoreiras, onde “o arco e as paredes contíguas estão completamente enegrecidos, com plantas a crescer nalguns pontos”, e referiu que tal também acontece com o troço até à Mãe d’Água, onde “as cantarias apresentam fissuras, há colonização biológica extensiva na cobertura em terraço, as guardas de ferro têm oxidações avançadas e as caixilharias de madeira em vãos estão em mau estado”.

Sobre esse alerta, a EPAL disse que, através do Museu da Água, acompanha "de forma regular" o estado do sistema Aqueduto das Águas Livres, incluindo a Mãe d’Água, através de um plano de salvaguarda, manutenção e conservação, “que prevê ações de monitorização contínua e intervenções programadas de acordo com critérios técnicos de prioridade e avaliação do estado de conservação”.

“Todas as intervenções de limpeza, controlo de colonização biológica e manutenção de elementos metálicos e de madeira são tipologias de trabalhos que integram o plano de conservação preventiva do Monumento”, indicou a empresa, reforçando o compromisso de assegurar a preservação, valorização e adequada manutenção deste património, garantindo a sua integridade e fruição pública.

Em relação à candidatura do Aqueduto das Águas Livres a Património Mundial da UNESCO, que integra a lista indicativa de Portugal desde 2017, a EPAL explicou que houve uma atualização em 2024 e concluiu-se que este Monumento Nacional “mantém as condições para permanecer” na lista, inclusive por apresentar “um potencial valor universal excecional” e preservar “a sua integridade e autenticidade”.

Neste âmbito, a EPAL tem desenvolvido “um conjunto consistente de intervenções de manutenção preventiva, conservação e restauro”, para garantir a preservação da integridade material e estrutural do Monumento, reforçar a sua resiliência e assegurar a transmissão deste património às gerações futuras, a que se juntam medidas para “minimizar e mitigar potenciais ameaças ao seu valor universal excecional, nomeadamente as pressões urbanísticas e os impactos associados às alterações climáticas”.

Em simultâneo, tem sido promovido “um trabalho aprofundado de investigação técnica e científica”, para um melhor enquadramento histórico, territorial e funcional do sistema do Aqueduto das Águas Livres, informou a EPAL, acrescentando que tal constitui “uma base essencial” para sustentar a fundamentação do valor universal excecional e robustecer o dossiê de candidatura a Património Mundial da UNESCO.