Os rostos da greve: o professor "cansado" de fazer 140km por dia para dar aulas
Professor há 35 anos, Paulo Teixeira é hoje um dos rostos da greve geral em Portugal.
Todos os dias, às 7h30 da manhã, toma café com um colega professor com quem divide boleias, antes de se fazerem à estrada para fazer os cerca de 70 quilómetros de viagem, pela estrada nacional, para dar aulas em Penedono.
"Devo ter um apartamento pago numa estrada qualquer, só não sei qual é", ironiza Paulo Teixeira.
O carro vai já com 500 mil km e não é o primeiro a atingir este valor. Apesar do conta-quilómetros do carro registar 70 quilómetros por viagem, não tem direito ao apoio à deslocação e afirma não saber "que meios é que têm para medir. Dizem que não cumpro a questão da distância, não sei se medem 69,9 quilómetros".
Por dia são 140 quilómetros, quase três horas na estrada para conseguir dar aulas. Com o passar dos anos, diz sentir cada vez mais o cansaço. Continua a ir todos os dias trabalhar sem perder o gosto, mas confessa que às quartas-feiras já sente o cansaço das deslocações, o que não acontecia no passado.
Concentração marcada para as 15h30, na Praça do Rossio, em Viseu
"Todas as medidas da reforma laboral são para esmagar os direitos dos trabalhadores", critica, acrescentando que espera que "haja muita gente a ir à concentração, mas espero ainda mais que as pessoas exerçam o direito à greve. Não só para a sua classe profissional, mas para toda classe dos trabalhadores. Temos de ser todos solidários".
Termina dizendo que "todos temos de lutar pelos nossos direitos. Ter direitos não é mau, é bom e temos de lutar por eles porque não estão garantidos".