Pequenos frutos já valem 400 milhões de euros e são o grande destaque da Feira Nacional da Agricultura
São nove dias em que Santarém se transforma na capital da agricultura portuguesa. Depois da edição do ano passado dedicada às biosoluções, este ano a Feira Nacional da Agricultura regressa com foco nos pequenos frutos.
“Este ano temos o tema é ‘O grande poder dos pequenos frutos’, em que vamos dar a conhecer todas as potencialidades das amoras, das framboesas, do morango e dos mirtilos”, explana ao Conta Lá Luís Mira, secretário-geral da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal.
Num setor que tem ganhado terreno no que respeita ao dinamismo que promove e ao interesse dos consumidores, os pequenos frutos são hoje um importante ativo para o PIB Nacional.
“Os pequenos frutos já contribuem com 400 milhões de euros para as exportações portuguesas e para o consumidor são também uma fonte de alimentação saudável com características que são muito apreciadas pelos consumidores mais exigentes. Eles vão fazendo parte da dieta dos portugueses, o que os valoriza ainda mais”, admite Luís Mira.
O secretário-geral da CAP sublinha que Portugal tem “únicas e magníficas características para a produção de alimentos, como é o caso dos pequenos frutos”, mas falta ainda “dar as condições que a agricultura merecia para potenciar essas características”.
“E isso não é feito. Apesar disso, o setor tem vindo a crescer, tem conseguido implementar-se, mas se tivesse algum enquadramento, alguma visão por parte de quem governa, poderíamos ir muito mais longe”, admite.
Além do foco nos pequenos frutos, na 62.ª edição da Feira Nacional da Agricultura a inovação continua a ser uma marca forte com “maquinaria sofisticada, mais empresas de serviços, mais equipamentos, muitos agroquímicos que são biológicos, com uma mudança muito grande nesse sentido - cada vez há mais inseticidas, herbicidas, tudo de base biológica”, admite Luís Mira.
O evento inclui "a demonstração de máquinas, gado, tecnologia agrícola e fatores de produção e serviços”.
Também a gestão “cada vez mais eficiente” da água ocupará um lugar de destaque com “novos equipamentos e sensores”, além de “um espaço importante na feira com várias empresas que se dedicam à produção de biometano, porque além de produzir alimentos ainda há a capacidade de produzir energia”, conclui o secretário-geral da CAP.
O setor vai estar em debate com um ciclo de “Conversas de Agricultura” que vai discutir temas centrais como o papel da imigração, as práticas de agricultura resiliente e a valorização de raças autóctones.
“Depois, temos também um conjunto de demonstrações, de provas, temos três cursos, um de prova de vinagres, um de prova de azeite e um de prova de vinho. Temos vários showcookings, workshops em temas agrícolas, ligadas com os pequenos frutos e não só”, enumera ao Conta Lá Luís Mira.
A programação procura também criar momentos de valorização do território. São 34 os concelhos da região representados na FNA com saberes e sabores locais, de onde se destacam atuações de ranchos folclóricos, desfiles de campinos e momentos musicais.
À noite, o debate dá lugar à animação musical, este ano com “uma aposta mais forte para os jovens”, diz o secretário-geral da CAP.
Também para as crianças, a Feira Nacional da Agricultura criou o espaço "Fnazinha”, com sessões de cinema, atividades desportivas e lúdicas para os mais novos.
Com a expectativa de receber perto de 200 mil visitantes, a organização admite que “para ver a Feira bem vista, é preciso um dia inteiro”.
O Conta Lá vai estar na Feira Nacional da Agricultura, a acompanhar o evento com uma emissão especial.