Poluentes persistentes detetados em botos arrojados na costa portuguesa

Investigadores da Universidade de Aveiro detetaram níveis elevados de poluentes orgânicos persistentes em botos arrojados na costa portuguesa. O estudo aponta ainda para uma elevada exposição das crias aos contaminantes durante a gestação e amamentação.
Agência Lusa
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13 mai. 2026, 14:57

Investigadores da Universidade de Aveiro detetaram níveis elevados de poluentes orgânicos persistentes em botos arrojados na costa portuguesa, revelou esta quarta-feira fonte académica.

O boto é uma espécie de mamífero marinho classificada como “criticamente em perigo” no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental.

Segundo refere uma nota sobre aquele estudo científico, com base em amostras de botos arrojados em Portugal, entre 2005 e 2013, os contaminantes acumulam-se nos tecidos dos animais e degradam-se de forma lenta no ambiente marinho.

“As conclusões indicam que os machos adultos apresentam concentrações de poluentes superiores às registadas nas fêmeas adultas”, refere.

Segundo Ana Sofia Tavares, que integra a equipa responsável pelo trabalho, juntamente com as biólogas Sílvia Monteiro e Catarina Eira, a diferença pode ser explicada pela transferência desses compostos das progenitoras para as crias, durante a gestação e posteriormente durante a amamentação. 

“Este processo é particularmente preocupante, uma vez que as crias e os animais mais jovens recebem elevadas cargas de poluentes numa fase em que o seu sistema imunitário e metabólico ainda se encontra pouco desenvolvido, tornando-os mais vulneráveis aos efeitos nocivos destas substâncias”, salientam.

A equipa de investigação refere ainda que a população de botos “enfrenta ainda ameaças como a captura acidental em redes de pesca e a perda de diversidade genética”.