Ponte de Lima volta a ser ponto de encontro para Portugal e Galiza discutirem meteorologia e clima


Mais de 200 participantes são esperados no congresso transfronteiriço de meteorologia que decorre esta sexta-feira e sábado em Ponte de Lima. O climatologista Mário Marques destaca a importância da partilha de conhecimento entre Portugal e a Galiza no encontro que este ano tem como subtema “resiliência e adaptação climática”.
João Nogueira
João Nogueira Jornalista
13 mar. 2026, 08:00

Mais de 200 participantes são esperados esta sexta-feira e sábado em Ponte de Lima para a sétima edição do congresso transfronteiriço de meteorologia e alterações climáticas. Ao longo de dois dias, investigadores, jornalistas e especialistas de diferentes áreas vão partilhar conhecimento sobre meteorologia, impactos climáticos e estratégias para lidar com esses efeitos, incluindo o ordenamento do território.

O encontro vai decorrer no auditório da Escola de Freixo e vai juntar especialistas portugueses e galegos para discutir os desafios do clima e as formas de adaptação. Ao longo dos últimos sete anos em que a iniciativa acontece, os temas vão divergindo, sempre no mundo da meteorologia e clima e o impacto e riscos que estão associados a vários setores.

O congresso nasceu dentro do próprio agrupamento de escolas de Freixo e envolve diretamente alunos e professores. Para o climatologista Mário Marques, isso faz toda a diferença:“É uma iniciativa de louvar. Foi promovida por um agrupamento de escolas. Tem um impacto grande até para nós deste mundo da meteorologia”.

Pode até ter passado despercebido, mas a iniciativa ganhou, no ano passado, um prémio europeu ligado à sustentabilidade e ao clima. O congresso tem este ano como subtema “resiliência e adaptação climática”, duas ideias centrais quando se fala de alterações do clima.

O climatologista explicou ao Conta Lá que este encontro destaca-se também por aproximar diferentes áreas e por criar pontes entre Portugal e a Galiza, sobretudo através da colaboração com a Universidade de Vigo. “Temos sempre a participação de especialistas de diferentes áreas e dos nossos colegas espanhóis, sobretudo da Galiza. Isso cria uma rede de partilha de conhecimento que é muito importante”, sublinhou.

Entre os temas em debate estará o papel das florestas e dos solos na resposta às alterações climáticas. Mário Marques será um dos oradores e vai explicar a diferença entre dois conceitos muitas vezes confundidos: a mitigação e a adaptação.

“Mitigar é trabalhar nas causas das alterações climáticas e tentar reduzi-las. Adaptar é perceber o que podemos fazer para lidar com as consequências”, sublinhou.

Na sua intervenção, o climatologista vai também destacar a importância das árvores e dos ecossistemas na gestão da água, na qualidade do ar e na proteção dos solos: “A floresta e os solos são fundamentais em vários aspetos, desde o ciclo da água ao combate à poluição”.

O programa inclui ainda um painel com vários convidados, entre eles o investigador Filipe Duarte Santos, o jornalista António Leite e profissionais da comunicação social da Galiza que irão abordar a comunicação e a gestão dos riscos climáticos.

 

Barómetro artesanal

Outra das novidades desta edição será a inauguração do que está a ser anunciado como o maior barómetro artesanal de Portugal e o único no país com um sistema duplo de medição, utilizando tubo e ponta. O equipamento deverá ajudar a reforçar a monitorização meteorológica local.

Apesar de ainda existir algum segredo em torno deste projeto, Mário Marques admite que a curiosidade é grande: “Estão a criar alguma expectativa. Vamos ver. Mesmo quem trabalha nesta área está curioso para perceber o que vai ser apresentado”.

Ao longo das últimas edições, o congresso tem abordado temas como riscos climáticos, incêndios ou planeamento urbano, procurando sempre ligar o conhecimento científico à realidade do território.

Para o climatologista, o facto de a iniciativa partir de uma escola e envolver os mais jovens torna-a ainda mais relevante. “É muito positivo ver miúdos envolvidos nestes temas e a mostrar aos adultos que temos mesmo de olhar para o clima com mais atenção”, conclui.