Portugal prepara-se para eclipse total do Sol em 2026 

O fenómeno histórico vai acontecer a 12 de agosto e deve ser visto a 100% na região de Bragança. Este sábado, o Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, tem programação dedicada ao evento. 

Raquel Loureiro
06 fev. 2026, 15:00

Portugal está em contagem decrescente para um momento que vai ficar na memória de toda uma geração.  A 12 de agosto de 2026, um eclipse total do sol vai praticamente transformar o dia em noite, em todo o território nacional. O fenómeno vai acontecer pelas 19h30 e vai durar cerca de três minutos. 

“É um momento único para nós todos, gratuito e democrático”, diz Pedro Mota Machado, astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço/Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que é também o Comissário Nacional para o Eclipse 2026. 

O último eclipse total do Sol registado em Portugal aconteceu em 1912 e será preciso esperar até 2144 para que o mesmo se repita. É por isso que o especialista espera pelo verão como “uma criança aos saltinhos. É preciso aproveitar!”, lembra Pedro Mota Machado, que já viu um eclipse total, há uns anos, nos Estados Unidos. 

Os cientistas acreditam que o eclipse vá ser visível a 100% no norte do país, em particular na região de Bragança. E mesmo descendo até ao Algarve, os valores serão sempre superiores a 90% no continente. 

“Fenómenos destes têm um impacto enorme. Vamos sentir uma descida de temperatura e da luminosidade. Se estivermos na zona dos 100% de visibilidade, vai ficar escuro e os animais vão ter um comportamento diferente. Por exemplo, os pássaros vão deixar de cantar e as aves noturnas poderão acordar e ouvir-se um pouco mais cedo”, explica Pedro Mota Machado. 

Preparativos para o eclipse com eventos em Lisboa e Bragança 

Na antecipação do fenómeno,  Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, reúne, este sábado, astrónomos profissionais e amadores, educadores, professores e comunicadores de ciência numa iniciativa que inclui palestras, mesas-redondas e workshops dedicados à simulação e observação segura dos eclipses. 

Sob o mote “O Sol Fora de Serviço”, o programa propõe um conjunto de atividades destinadas a explicar a ciência por trás dos eclipses. Entre as ações previstas estão observações com telescópios solares, construção de modelos que demonstrem a dinâmica de um eclipse ou a criação de óculos que permitam a observação em segurança.  

A última palestra do dia está a cargo de Pedro Mota Machado. O astrónomo vai estar depois na apresentação do programa nacional sobre o eclipse agendada para 12 de fevereiro, em Bragança. 

O evento, no Pavilhão dos Bombeiros, vai incluir sessões do Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, com projeções de cerca de 40 minutos que simulam um eclipse solar através de imagens do Sol, da Lua e das estrelas. As atividades destinam-se à população local, à comunidade educativa e a utentes da Associação Sociocultural dos Deficientes de Trás-os-Montes.