Portugueses repatriados exaustos mas aliviados por estarem em Portugal

A aeronave A330, fretada à TAP Air Portugal e que transportou 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses e oito de outros países (Alemanha, Itália, Estados Unidos da América, Reino Unido e Peru), aterrou em Figo Maduro às 10:16.
Agência Lusa
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06 mar. 2026, 13:05

Os passageiros que hoje aterraram em Lisboa provenientes do Médio Oriente mostravam à chegada um ar cansado, mas aliviado por finalmente estarem em Portugal, após uma viagem longa, atribulada e com muito medo.

“Estamos assoberbadas, a viagem foi completamente exaustiva. Há 36 horas que estamos em viagem. O transporte terrestre do hotel até Omã foi bastante difícil e depois uma espera no aeroporto de 17 horas. Mas uma vez que entrámos no avião, ficou tudo bem”, disse Mariana Carvalho aos jornalistas, no Aeródromo Militar de Lisboa.

Esta portuguesa, que se encontrava no Dubai a passar férias com a irmã gémea, Cristiana, foi uma das 147 passageiros que hoje aterrou neste aeroporto, num voo fretado por Portugal para repatriar os portugueses que pretendem sair de zonas de risco devido à guerra no Médio Oriente.

A aeronave A330, fretada à TAP Air Portugal e que transportou 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses e oito de outros países (Alemanha, Itália, Estados Unidos da América, Reino Unido e Peru), aterrou em Figo Maduro às 10:16.

Pouco depois, os passageiros, entre os quais várias crianças, algumas de colo, dirigiram-se a uma sala no aeródromo, onde os esperava o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, e um lanche, bem como vários jornalistas que os questionaram sobre o que passaram desde que, no sábado, os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar contra o Irão.

Mariana contou que, enquanto estavam no Dubai, sentiram o maior receio.

“Estávamos sempre agarradas ao telemóvel a ver as notícias, a ver quando saía um avião, quando a [companhia aérea] Emirates ia dar notícia, as notícias de que estava a escalar o conflito, os voos constantemente a ser adiados. Éramos para ficar uma semana e acabámos por ficar duas”, prosseguiu.

Mariana e a irmã gémea Cristiana conseguiram arranjar um voo que vai sair hoje, mas optaram por esta resposta portuguesa, porque “como o conflito está a escalar o voo podia ser cancelado a qualquer momento”.

Sábado, o dia do ataque, foi “o pior de todos” para estas irmãs.

“Ainda sentíamos alguma segurança, mas depois começámos a ouvir os estouros dos mísseis, antimísseis, as notícias dos hotéis a arder”, contou Cristiana.

Valeu a informação que “ia fluindo”, em parte graças a grupos nas aplicações de mensagens, telefonemas com familiares em Portugal, mas também as autoridades portuguesas, com as quais tudo correu “muito bem”, disse.

“Ligaram-me logo no segundo dia [domingo], quando o conflito começou, tudo muito secreto, mas foram muito céleres e responderam sempre”, prosseguiu.

Para Mariana, o maior receio que ela e a irmã sentiram nestes dias era o de verem os voos a serem continuamente cancelados, ao mesmo tempo que assistiam ao escalar da guerra.

Não de férias, mas em trabalho, Diogo Aires Coelho optou pelo repatriamento, por considerar a medida mais segura.

Trabalha no Dubai, onde vivia com a família, e os próximos tempos vai trabalhar remotamente, enquanto aguarda pelo evoluir da situação.

Sobre a resposta portuguesa, só elogios: “Foi bastante bem organizado; TAP, Ministério dos Negócios Estrangeiros, embaixada [de Portugal], sempre nos fizeram sentir bastante apoiados”.

Sabe que terão de pagar 600 euros pelos custos da operação, mas está “ok por isso”.

A memória dos últimos dias inclui o som das explosões e dos alertas no telefone, mas também de uma resposta destes países, ao nível da defesa, que demonstra como estão “bem preparados”.

Estes passageiros foram depois encaminhados para o Aeroporto Internacional de Lisboa Humberto Delgado, mais um esforço que, segundo o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, se deveu à criação de um corredor especial para não terem de estar muito tempo à espera, por causa do passaporte na fronteira, e poderem rapidamente regressar a casa”.