"Precisamos de abrir as portas de todas as cidades ao futuro"
“A Europa precisa de presidentes de câmara a trabalhar em estreita articulação com instituições nacionais fortes. É por isso que a democracia depende da capacidade local e da responsabilidade partilhada entre todos os níveis de governação", garantiu Manuel Castro Almeida na sessão inaugural da da conferência internacional "ACT NOW Mayors", e que decorre até amanhã no Centro de Congressos do Estoril. "E é por isso que Act Now não é um slogan, é uma responsabilidade coletiva”, reforçou o ministro da Economia e da Coesão Territorial.
O certame realiza-se como parte da eleição de Cascais como Capital Europeia da Democracia 2026, com o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, a afirmar que "precisamos de abrir as portas de todas as cidades ao futuro. Através do diálogo. Da partilha de experiências. E da reflexão. Porque numa Europa dividida, nós queremos cidades unidas”, aponta.
Já Mathieu Mori, secretário-geral do Congresso dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa, deixou a questão: “Onde começam os direitos humanos universais?" E tratou de responder com a certeza que começam "perto de casa, nos locais que compõem o mundo de cada indivíduo. O bairro onde vivem, a escola ou universidade que frequentam, a fábrica, a quinta ou o escritório onde trabalham". Na sua opinião, "é nestes lugares que todo o homem, mulher e criança procura a igualdade de justiça, a igualdade de oportunidades e a igualdade de dignidade, sem discriminação. Se estes direitos não têm significado aí, terão pouco significado em qualquer outro lugar”.
Dimensões da vida humana
São cerca de 300 participantes, de mais de 20 países, entre representantes políticos, académicos, especialistas internacionais e cidadãos que estão reunidos em Cascais, para debater alguns dos tópicos mais prementes da atualidade. Em que não é possível escapar ao advento da inteligência artificial (IA), com Helfried Carl, fundador e CEO do evento Capital Europeia da Democracia, a alertar para os problemas que levante e para a capacidade que tem "de minar a nossa dignidade de formas que nem sequer conseguimos prever".
Por outro lado, "tem também o potencial de desencadear forças produtivas que nos ajudariam a alcançar uma era de incrível prosperidade social, com todos os efeitos positivos necessários para nos proteger de violações dos direitos humanos. Na dimensão social, política, educativa, ecológica, enfim, em todas as dimensões da vida humana”, refletiu.
A conferência "ACT NOW Mayors" marca o início do “Ano da Democracia”, um programa que, ao longo de 2026, integrará um conjunto alargado de iniciativas, incluindo eventos públicos, debates temáticos e projetos colaborativos na autarquia, para celebrar o reconhecimento de Cascais como Capital Europeia da Democracia 2026.
A eleição partiu de especialistas internacionais e de mais de 4500 cidadãos europeus, com a cidade a ser a terceira na Europa agraciada com este título, sucedendo assim a Viena e Barcelona, após bater dezenas de outras candidatas no processo de qualificação, incluindo Sófia e Roterdão.