Prejuízos na agricultura ultrapassam mil milhões de euros. CNA alerta para “situação difícil” no setor

CNA vai promover uma concentração de delegações de agricultores, no dia 25 de fevereiro, em Lisboa. A confederação quer alertar o Governo para os danos agrícolas do mau tempo.
 
Agência Lusa
Agência Lusa
19 fev. 2026, 15:10

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) vai promover uma concentração de delegações de agricultores, no dia 25 de fevereiro, em Lisboa, para alertar o Governo para “a situação difícil dos agricultores” e defender a produção.

Em comunicado, a CNA exige ao Governo e aos demais órgãos de soberania a salvaguarda da agricultura e dos agricultores, face às intempéries, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) e ao acordo comercial Mercosul.

Em relação às intempéries que têm afetado o país nas últimas semanas, a confederação referiu que só na agricultura estima-se que os prejuízos ultrapassem os 1.000 milhões de euros, necessitando de uma resposta do Governo.

“As medidas até agora anunciadas estão muito longe de responder às necessidades dos agricultores: as linhas de crédito não são solução, a ajuda simplificada fica pelos 10.000 euros e é limitada a parte do país; o restabelecimento do potencial produtivo vai ser pago pelo PEPAC, programa já fortemente comprometido”, lê-se na informação divulgada.

Desta forma, a CNA irá entregar ao primeiro-ministro e à Comissão de Agricultura da Assembleia da República um conjunto de reclamações e propostas que de facto apoiem os agricultores nos seus rendimentos e reposição da capacidade produtiva.

Sobre a PAC, a entidade explicou que na situação atual um agricultor obtém rendimentos 40% inferiores do que as restantes atividades económicas, pelo que as propostas apresentadas pela Comissão Europeia não corrigem esta situação e podem agravá-la.

Já relativamente ao acordo comercial do Mercosul, assinado em dezembro pela Comissão Europeia, a CNA referiu impactos negativos na produção nacional, designadamente nos setores da carne, frutas, cereais, leite ou mel.

“Ao permitir a entrada em Portugal, e na UE, de milhares de toneladas de produtos sem tarifas, com menores custos de produção, provenientes de explorações de muito maior dimensão e sem estarem sujeitos ao cumprimento das mesmas regras sanitárias, ambientais e sociais, o acordo será mais um fator a pressionar em baixa os preços pagos à produção nacional e a degradar os rendimentos dos agricultores”, acrescentou a confederação.

Neste sentido, a CNA disse estar preocupada com as negociações em curso para novos acordos comerciais, pelo que instam a que os agricultores portugueses se façam ouvir e exijam ao Governo a defesa da produção nacional.