Problemas no abastecimento de água: situação em Cem Soldos "foi grave" e não está resolvida de forma definitiva

Os constrangimentos no abastecimento de água duraram vários dias. Tiago Carrão, o presidente da Câmara Municipal de Tomar e presidente do Conselho de Administração da Tejo Ambiente, sublinha que a situação vivida em Cem Soldos “foi grave” e que as intervenções realizadas permitiram apenas “cuidados paliativos”.
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
16 jan. 2026, 19:00

Imagem da aldeia de Cem Soldos
Autarquia afirma que o problema foi parcialmente resolvido e reitera a necessidade de uma solução definitiva

O abastecimento de água em Cem Soldos e Porto Mendo, no concelho de Tomar, foi reposto após vários dias de constrangimentos provocados por problemas de pressão na rede, mas a Tejo Ambiente, entidade responsável pelo abastecimento de água em vários concelhos da região do Médio Tejo, alerta que a solução é temporária e que o problema estrutural se mantém.

Segundo a União das Freguesias de Madalena e Beselga, da qual fazem parte Cem Soldos e Porto Meno, os constrangimentos, que começaram no dia 7 de janeiro, só ficaram resolvidos na madrugada de 12 para 13 de janeiro. A Tejo Ambiente emitiu um comunicado a explicar que em causa esteve uma acumulação de calcário nas tubagens. 

Tiago Carrão, o presidente da Câmara Municipal de Tomar e presidente do Conselho de Administração da Tejo Ambiente, sublinha, em declarações ao Conta Lá, que a situação vivida em Cem Soldos “foi grave” e que as intervenções realizadas permitiram apenas “cuidados paliativos”, alertando que o problema não está resolvido de forma definitiva.

O responsável afirma ainda que existem perdas de água que ultrapassam os 90%, com apenas cerca de 6% da água a ser faturada, uma situação que classificou como “insustentável”, tanto do ponto de vista financeiro como ambiental.

Tiago Carrão explica que a solução definitiva passa pela substituição de cerca de 250 quilómetros de condutas, num investimento estimado em 17 milhões de euros. Um valor que considera incomportável no curto prazo para a empresa intermunicipal e para os municípios associados.

A comparticipação das Águas do Vale do Tejo ou o recurso a financiamento comunitário ou nacional são solulções apontadas pelo responsável, defendendo que se trata de uma intervenção “urgente e necessária”.

Quando questionado sobre a ausência de obras estruturais ao longo das últimas décadas, Tiago Carrão refere que o problema é conhecido desde a constituição da Tejo Ambiente, há cerca de cinco anos, e que têm sido desenvolvidos contactos com a tutela, incluindo o Ministério do Ambiente para encontrar uma solução.

O autarca alertou ainda para a sucessão de ruturas em vários pontos da rede, não só em Cem Soldos e Porto Mendo, mas também noutras zonas abrangidas pelo sistema.