Produção de energia através de renováveis ganha impulso nos primeiros meses do ano

Os dados operacionais previsionais relativos aos primeiros três meses do ano da EDP mostram o aumento da produção de eletricidade impulsionada pela geração eólica e solar, com as energias renováveis a representarem 91% da produção total.
Agência Lusa
Agência Lusa
17 abr. 2026, 10:40

“O aumento da produção hídrica e eólica, após sucessivas tempestades desde o final de janeiro, contribuiu para um crescimento significativo da produção renovável e para uma diminuição de 48% do preço médio de eletricidade na Península Ibérica”, refere a EDP num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com os dados operacionais previsionais relativos aos primeiros três meses do ano.

Segundo detalha, o preço médio de eletricidade na Ibéria passou de 85,3 euros por Megawatt-hora (euros/MWh) no primeiro trimestre de 2025 para 44,2 euros/MWh no primeiro trimestre de 2026, “apesar de um preço médio temporariamente baixo de 16,4 euros/MWh registado em fevereiro, devido ao excesso de precipitação”.

Até março, a produção hídrica na Península Ibérica atingiu 4,3 TWh, ficando 0,9 TWh acima do esperado, em resultado de “fortes recursos hídricos”, 52% acima da média histórica (+42% no primeiro trimestre de 2025).

Já a produção eólica e solar aumentou 4% em termos homólogos para 11,5 TWh (incluindo solar distribuído na Europa e Brasil), suportado pelo aumento de 6% na capacidade instalada nos últimos 12 meses (com maior contributo da América do Norte, principalmente no solar), e por melhores recursos eólicos e solares na Europa, mantendo-se os recursos renováveis próximos da média de longo prazo, sustentando o aumento dos volumes de produção.

A empresa liderada por Miguel Stilwell de Andrade reporta um aumento da produção térmica em 4% em termos homólogos, impulsionada pela produção de gás em Portugal (+38% no primeiro trimestre de 2025), “refletindo uma maior da procura por serviços completares e energia flexível, após uma interrupção temporária no sistema de transmissão/interligação em fevereiro e março causada pelas tempestades”.

“Consequentemente, o componente de serviços de sistema elétrico e restrições no preço final da eletricidade, suportado pela comercialização de eletricidade, registou um aumento significativo em termos homólogos”, refere.

Na Ibéria, a eletricidade distribuída pela EDP aumentou 1,1% de janeiro a março, em termos homólogos.

Em Portugal, a procura de eletricidade na rede de distribuição da empresa subiu 2,5%, impulsionado por uma maior penetração de veículos elétricos no mercado, aumento do número de clientes e maior consumo médio por cliente (um crescimento de 4,7% em termos homólogos do consumo total).

Já em Espanha, o consumo de eletricidade na área de distribuição da EDP diminuiu 4%, devido a uma interrupção temporária de um grande cliente industrial (compara com um crescimento de 1% em termos homólogos da procura de eletricidade em Espanha continental).

No Brasil, a eletricidade distribuída aumentou 0,8% em termos homólogos, comparativamente com um crescimento homólogo de 7% nos primeiros três meses de 2025, “devido à normalização das temperaturas e à maior penetração de solar distribuído”, tendo o número de clientes ligados subido 1,9% face ao primeiro trimestre de 2025.

Os dados divulgados pela EDP indicam ainda que os níveis de reservatórios se situavam em 94% no final de março, um recorde nos últimos 10 anos para esta altura do ano (face a 76% no final de 2025 e 89% em março de 2025).

“Espera-se que os elevados níveis dos reservatórios sustentem o desempenho do negócio de geração flexível nos próximos trimestres”, avança a empresa.

Nos últimos 12 meses, a EDP diz ter adicionado 2,1 Gigawatts (GW) de capacidade total (dos quais +2,0 GW ao nível da EDP Renováveis (EDPR), sendo em março de 2026 a capacidade em construção de 1,9 GW, “reforçando a capacidade prevista para 2026 e anos seguintes, com mais de 90% dos 1,5 GW de adições de capacidade esperadas para 2026 já instaladas ou em construção”.

A capacidade instalada eólica e solar atingiu 21,2 GW (EBITDA + Equity) no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 1,3 GW em termos homólogos (+6% no primeiro trimestre de 2025).

Salientando que a execução do plano de rotações de ativos para 2026 “deverá concentrar-se no segundo semestre do ano”, a energética refere que, até ao primeiro trimestre, concluiu a transação de rotação de ativos de um portefólio eólico de 150 MW na Grécia.