Produto biológico criado pelo Politécnico de Bragança já salvou mais de 200 mil castanheiros com cancro
Mais de 200 mil castanheiros com cancro no Nordeste Transmontano foram, na última década, curados graças a um tratamento biológico criado pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), projeto que foi esta quinta-feira prolongado por mais cinco anos.
O IPB e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram esta quinta-feira, na instituição de ensino superior, o protocolo que prolonga por mais cinco anos este projeto de combate ao cancro do castanheiro, que envolve mais de três mil produtores, segundo avançou aos jornalistas a investigadora responsável pelo programa, Eugénia Gouveia.
O cancro do castanheiro é uma das principais doenças fitossanitárias que afeta os soutos nos concelhos de Bragança e Vinhais, onde há a maior produção de castanha do país.
O IPB desenvolveu um tratamento biológico que tem vindo a ser aplicado desde 2015 e que trata o cancro provocado pela estirpe Cryphonectria parasítica, comum na região.
De acordo com a investigadora do IPB, “10% de castanheiros” têm a doença, mas o tratamento biológico tem uma “eficácia em termos globais que rondará os 95%” e, por isso, já foram tratados “mais de 200 mil castanheiros”.
“Este é um produto biológico que atua no fungo, que é patogénico, e dessa forma o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e para o crescimento, e promove o desenvolvimento de tecidos novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico, e não interfere nem com a saúde humana, nem com o ambiente”, explicou Eugénia Gouveia.
Uma das vantagens do tratamento, em relação aos pesticidas, é que uma aplicação é suficiente para a cura da árvore.
“Todo esse trabalho que está a ser feito pelo IPB, além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir, de facto, tudo o que é necessário para se vir, um dia, a homologar o produto. Até lá, obviamente, o que nos interessa a todos, quer à DGAV quer ao IPB, é apoiar os agricultores no controlo deste flagelo que afeta os nossos castanheiros”, salientou Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da DGAV.
O tratamento é aplicado apenas nos soutos dos agricultores que fazem parte deste programa.
O produto ainda não está à venda no mercado, sendo que, para isso, precisa de homologação. O presidente do IPB revelou esta quinta-feira que espera consegui-la nos próximos anos.
“Há perspetiva que, tratando-se de um produto biológico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade”, disse Orlando Rodrigues, presidente da instituição, acrescentando que espera que antes dos cinco anos do programa o produto já esteja homologado para entrar no mercado.
Cerca de 85% da produção de castanha em Portugal é proveniente de Trás-os-Montes. Em anos ditos normais, nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto.