Projeto "Barreiro, a Cidade dos Arquivos" cria site para facilitar acesso à memória coletiva

Este é um projeto que reúne vários arquivos locais que trabalham em parceria para que o património seja dinamizado com exposições, visitas guiadas e outras iniciativas. A programação cultural, científica e educativa vai agora estar contemplada num novo site. 
 
Agência Lusa
Agência Lusa
19 fev. 2026, 14:37

O projeto "Barreiro, a Cidade dos Arquivos" vai ter a partir desta quinta-feira um site, que permitirá tornar mais acessível os acervos documentais, bem como a programação cultural, científica e educativa de todos os documentos que o integram.

O novo espaço online do projeto (https://cidadedosarquivos.pt/) foi lançado esta quinta-feira no Museu Industrial da empresa Arco Ribeirinho Sul, num evento que resulta de uma parceria entre a “Cidade dos Arquivos” e a Câmara Municipal do Barreiro.

Segundo a organização, com o lançamento do site passam a estar disponíveis, de forma estruturada e acessível, informações detalhadas sobre cada uma das entidades envolvidas, sobre os seus acervos documentais, bem como a programação cultural, científica e educativa promovida no âmbito da Cidade dos Arquivos.

Numa nota de imprensa, a autarquia do Barreiro explica que “é através da cooperação entre os arquivos, as parcerias artísticas, empresariais, educativas e associativas que a Cidade dos Arquivos afirma o Barreiro como um polo de conhecimento e investigação, promovendo a preservação da memória coletiva e o acesso à informação para a comunidade, investigadores e público em geral”.

O objetivo, explica a autarquia em comunicado, é que “cada visita ao site seja um convite à participação, contribuindo para a valorização e complementaridade dos fundos documentais e para a abertura da Cidade dos Arquivos ao país e ao mundo, através da sua riqueza arquivística, fundamental para a história de Portugal”.

A Cidade dos Arquivos, no Barreiro, no distrito de Setúbal, é um projeto que reúne vários arquivos locais que trabalham em parceria e cujo património é dinamizado com exposições, visitas guiadas e outras iniciativas.

Integram a Cidade dos Arquivos: o Arquivo Ephemera, criado por José Pacheco Pereira, que conta com mais de 300 mil títulos e com materiais diversos sobre a história recente de Portugal; o Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra; o Centro de Documentação do Museu Industrial da Arco Ribeirinho Sul; o Espaço Memória, da Câmara Municipal do Barreiro; o Arquivo da Fundação Amélia de Mello; o clube de história e acervo português da atividade seguradora, e o Arquivo Sonoro do Barreiro.

Sediado no Parque Empresarial do Barreiro da Arco Ribeirinho Sul, S.A., o projeto reúne num mesmo território arquivos públicos e privados de diferentes áreas e instituições.

José Pacheco Pereira, responsável pelo Arquivo Ephemera, um dos arquivos integrantes da Cidade dos Arquivos, considera que “não é por acaso que a Cidade dos Arquivos surgiu no Barreiro, uma terra que é ela própria uma mostra viva de muita da história de Portugal”.

O Barreiro, explica, é a “grande cidade industrial do século XX, ligada à atividade económica do país, com especial incidência na margem sul do Tejo, moldando a paisagem pelas suas fábricas, com uma população operária considerada das maiores da Europa, associando uma experiência empresarial inovadora, com uma tradição de luta social e política ímpar nos 48 anos de ditadura”.

Em declarações à agência Lusa, Pacheco Pereira adiantou que o site agora criado tem “a enorme vantagem de mostrar também a outras autarquias e a outros arquivos a vantagem de colaborarem” e de traduzir de uma forma aberta a experiência única que é a Cidade dos Arquivos, onde fisicamente já existe uma partilha de material de diferentes arquivos que se complementam em exposições que tem vindo a ser desenvolvidas.

“A Cidade dos Arquivos é um grande exemplo de uma pedagogia da memória que é importante fazer.

Essa pedagogia da memória tem como objetivo divulgar as atividades de arquivos e parceiros que são muito diferentes entre si e essa diferença é uma das nossas riquezas”, disse.

Pacheco Pereira defende que uma das razões porque é importante defender a memória coletiva, a das pessoas comuns e das instituições, é que favorece a democracia.

“É a favor de nós olharmos uns para os outros e ver que a diferença de experiências de vida, as diferenças de opinião, no seu conjunto, fazem parte da história de Portugal e isso é um fator na democracia. Para além de mais, as coisas que são incómodas na memória ficam aqui guardadas, aqui não há incomodidades”, sustentou.

Para a vereadora com os pelouros da Educação, Cultura e Património Cultural da Câmara Municipal do Barreiro, este é um projeto de grande importância para o concelho e uma homenagem à cultura e identidade do Barreiro.

“Temos o Barreiro antigo e o contemporâneo e cultural. Este website vem congregar os arquivos permitindo perceber o trabalho que cada arquivo faz e o que se faz em conjunto na dinamização do território”, disse Sara Ferreira.

Já para a presidente da Arco Ribeirinho Sul, Sara Ribeiro, na Cidade dos Arquivos há um fervilhar de ideias e de desafios constantes e a plataforma digital acaba por ampliar todo este trabalho.

“Esta confluência de arquivos faz deste projeto único. A informação de todos estes arquivos que advêm de acontecimentos do século XX tem uma complementaridade enorme quando queremos ir buscar as histórias do 25 de abril, sobre a segunda guerra mundial ou simplesmente histórias do quotidiano. E este funcionamento em conjunto é muito especial”, disse.

O projeto Barreiro, Cidade dos Arquivos tem também como parceiros a ADAO – Associação para o Desenvolvimento das Artes e Ofícios, a Banda D´Além, o Colectivo SPA, a Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro e a PADA Studios.