Projeto do metrobus elimina passeio e dezena de árvores na entrada da Trofa

O projeto do metrobus na Trofa prevê a remoção de dezenas de árvores junto à estação ferroviária e alterações profundas na variante à EN14. O Estudo de Impacte Ambiental indica que o canal do metrobus vai substituir um passeio largo e zonas verdes na principal avenida da cidade.
Agência Lusa
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08 mai. 2026, 14:36

 O "único troço com verdadeira inserção urbana contínua" do metrobus na Trofa vai obrigar à remoção de dezenas de árvores da variante à Estrada Nacional 14 (EN14), junto à estação ferroviária, segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

De acordo com os desenhos presentes no estudo, a intervenção vai retirar um passeio com 5,77 metros de largura e dezenas de árvores, passando esta zona a ser ocupada pelo canal do metrobus, bem como suprimir um separador central verde de 1,72 metros entre os dois sentidos da circulação, tornando a estrada com seis vias inteiramente dedicada à circulação rodoviária, seja para o automóvel, seja para o metrobus.

Em causa está o "único troço com verdadeira inserção urbana contínua" do projeto do metrobus na Trofa, "desenvolvendo-se ao longo da avenida 19 de novembro", nome da variante à EN14 naquele local, com o canal do metrobus a substituir "o passeio largo existente, exigindo reorganização completa da secção urbana, com rodovia deslocada, passeio acessível e nova iluminação".

"Dado que grande parte da linha decorre sobre antigo canal ferroviário e zonas rurais, a inserção urbana, para além das estações, apenas se aplica de forma significativa ao troço entre as estações de Trofa Sul e Interface Trofa [estação ferroviária], localizado na EN14 [Estrada Nacional 14]", precisamente esta zona afetada.

Em causa está o projeto da extensão do Metro do Porto à Trofa, que obrigará a transbordo de metro para metrobus no Muro, com custo estimado de até 105,3 milhões de euros para a obra, exceto despesas como material circulante, expropriações, projetos, fiscalização, equipamento e sistemas de apoio à exploração, sendo que em outubro de 2023, a Metro tinha estimado custos totais de 160 milhões de euros.

Quanto às intervenções nas restantes estações, estão também previstas remoções de árvores não quantificadas, apesar de se referir que o projeto prioriza a "preservação da vegetação existente sempre que possível" e a "seleção de espécies autóctones e resilientes".

A estação Serra (metrobus) "situa-se numa zona densamente arborizada, o que implica o abate de vários exemplares existentes devido à nova plataforma e ao parque de estacionamento", mas "a proposta repõe o valor paisagístico através da plantação de tílias e plátanos nos limites da estação e ao longo dos acessos".

Quanto à estação de Bougado, também "exige a remoção de exemplares de pequeno porte junto ao novo arranjo urbano e à praça de acesso", e em Pateiras a intervenção também "afeta um reduzido número de árvores existentes" e também há plantação de tílias e plátanos.

Na estação Paços do Concelho, a intervenção requer "o abate pontual de algumas árvores devido à redefinição dos espaços públicos" e a proposta paisagística "incorpora tílias, plátanos e 'Parrotia persica'", acontecendo o mesmo na estação Trofa Sul, cuja "construção da nova praça de acesso e da rotunda implica a remoção de algumas árvores existentes".

No Interface Trofa, junto à estação ferroviária, a reorganização da área técnica e do parque de estacionamento também "implica o abate de parte da arborização existente, preservando apenas exemplares em bom estado", e a proposta também inclui "uma nova zona arborizada junto ao SET [subestação de tração] e ao edifício de apoio, bem como um alinhamento arbóreo ao longo da Rua Alfredo Guedes Machado.

A Lusa questionou a Metro do Porto sobre o projeto e aguarda resposta.