Projeto pioneiro da Universidade de Aveiro preserva discos históricos classificados pela UNESCO
São discos anteriores a 1925, contêm registos de Fado e Canto Alentejano, e foram classificados pela UNESCO como Património Cultural Imaterial. Agora, a Universidade de Aveiro (UA) conseguiu um financiamento internacional para recuperar e preservar estes discos.
A instituição informou, em comunicado que, “através da área de Museu e Arquivo dos Serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia (SBIDM), viu aprovada a sua candidatura ao Fund for International Development of Archives (FIDA), do International Council on Archives (ICA)”. A verba total conseguida é de cinco mil euros.
Intitulado "Phonographic Records: Echoes and images of Portugal in the 20th Century", o projeto foca-se num património em risco.
O som destes discos é frequentemente o foco de estudo, mas este projeto inova “ao concentrar-se na preservação da sua componente visual”.
“Os rótulos, selos e inscrições de fábrica destes discos contêm metadados cruciais, como logótipos, números de série, detalhes gráficos e anotações manuscritas, que contam a história da indústria fonográfica e da sociedade portuguesa do início do século XX. Dada a extrema fragilidade da goma-laca, um material quimicamente instável, esta intervenção é urgente para evitar a perda irreversível de informação”, refere a nota.
O projeto permitirá não só a preservação física dos originais em materiais de qualidade de arquivo (acid-free), mas também a disponibilização pública de uma galeria digital no repositório da UA.
“Esta iniciativa posiciona a Universidade de Aveiro na vanguarda da preservação de património sonoro em Portugal, colmatando a falta de infraestruturas nacionais especializadas na imagiologia de suportes discográficos históricos”, acrescenta a instituição.
O financiamento resulta de uma aposta estratégica dos SBIDM/UA na preservação digital de alta complexidade, sob a responsabilidade institucional da diretora destes Serviços, Cristina Cortês.
O desenho técnico e a conceptualização da candidatura foram assegurados por Rui Ferreira e Sílvia Marinho, técnicos superiores da área de Museu e Arquivo (dos SBIDM), que assumirão agora a coordenação e implementação do projeto.
A equipa técnica será responsável pela limpeza, acondicionamento e digitalização dos 400 discos, utilizando normas internacionais de captura de imagem (FADGI) para criar "substitutos digitais" de ultra-alta resolução que permitirão o estudo dos objetos sem necessidade de manuseamento físico.
O projeto conta ainda com a consultoria científica da equipa de investigação coordenada por Susana Sardo, professora do Departamento de Comunicação e Arte da UA e investigadora do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança (INET-md), garantindo que os novos dados visuais servirão diretamente à produção de conhecimento nas áreas da etnomusicologia e sociologia histórica.