Projetos crescem em Chaves com um esforço extra e há uma orquestra Campeã do Mundo de sopros

Vingar projetos fora dos grandes centros acarreta desafios e esforços extra. Em Chaves, essa realidade foi o ponto de partida para uma conversa num dos painéis da emissão especial pela Estrada Nacional 2, transmitida pelo Conta Lá a partir desta segunda-feira. Do futebol à cultura, responsáveis locais partilharam experiências e desafios que enfrentam.
João Nogueira
João Nogueira Jornalista
20 abr. 2026, 13:00

Desenvolver projetos no Interior continua a exigir esforço extra tendo em conta que vivemos num país ainda marcado por uma forte concentração de pessoas e serviços no litoral e nos centros urbanos. Em Chaves não é diferente e há exemplos, nas áreas do desporto e da cultura, que mostram que é possível crescer e marcar a diferença, ainda que com mais desafios. Este foi o mote para um debate, esta segunda-feira, na emissão especial do Conta Lá pela Estrada Nacional 2

Na Academia de Artes de Chaves, o crescimento faz-se pela formação. Com cerca de 200 alunos, a academia consegue atrair estudantes de fora e até do estrangeiro. “Além de captar, também ajuda as pessoas a ficar”, explicou Vasco Gonçalves.

O maior exemplo desse trabalho é a orquestra, com cerca de 70 elementos, que já venceu um concurso internacional: “Fomos campeões do mundo na Holanda e este ano vamos tentar repetir”, disse.

No Desportivo de Chaves, o único clube do campeonato nacional sediado no Interior, essa realidade sente-se todos os dias. “É um desafio constante e diário ter um clube no Interior”, explicou Sérgio Mota, responsável de comunicação.

A distância dos grandes centros complica tudo, desde os patrocínios à contratação de jogadores. “Temos que bater em muitas portas”, resumiu. "Os jogadores, se são do Porto e ganham o mesmo que vêm ganhar par Chaves, preferem ficar no Porto. O desafio é contratar bem, sabemos que o futebol é muito competitivo, às vezes também é preciso sorte", explicou.

Também no Festival da Nacional 2, a questão da centralização é inevitável. O projeto tem um forte impacto local, uma vez que “70% do investimento fica em Chaves”, destaca Diogo Martins, responsável pelo evento, acrescentando que o objetivo é mostrar que “as pessoas não estão condenadas por estarem num sítio como Chaves”.

O Conta Lá percorre durante sete semanas, os 35 concelhos da Estrada Nacional 2 (EN2), de Chaves a Faro para dar visibilidade às pessoas, histórias, desafios e potencialidades que constroem o país todos os dias. 

Uma emissão diária, das 11h às 13h e das 15h30 às 17h30 com as histórias e os protagonistas que fazem desta rota uma artéria pulsante do Portugal moderno, com ligação constante ao seu passado e futuro. Acompanhe tudo aqui.