Proteção civil alerta que a situação "mais preocupante" é Coimbra, devido ao mau tempo

A Proteção Civil disse, esta quarta-feira, que a situação “mais preocupante” é na zona de Coimbra devido ao “risco significativo” de rutura de um dos diques do Mondego. A proteção civil alertou ainda para a continuação de cheias nos próximos dias.
Agência Lusa
Agência Lusa
11 fev. 2026, 14:12

O comandante nacional da Proteção Civil disse, esta quarta-feira, que a situação “mais preocupante” é na zona de Coimbra devido ao “risco significativo” de rutura de um dos diques do Mondego e alertou para a continuação de cheias e derrocadas.

“A situação mais preocupante neste momento é no Mondego devido ao risco significativo de poder existir alguma rutura num dos diques. São 30 quilómetros de diques, desde a zona de Coimbra até à Figueira da Foz”, disse Mário Silvestre, na conferência de imprensa diária para fazer um ponto de situação das cheias no país realizada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O comandante da ANEPC explicou que as pessoas que moram naquela zona foram “previamente alertadas”, tendo existido um trabalho de planeamento, e as zonas de concentração e acolhimento da população “já estão montadas e preparadas para receber essas pessoas”.

“Neste momento há um trabalho em curso”, afirmou, avançando que foi dada prioridade às pessoas idosas, tendo sido evacuados em primeiro lugar os lares de terceira idade que estavam naquela zona.

Mário Silvestre alertou para a continuação de cheias nos próximos dias, situação que se deve “não à precipitação em si, mas pelo impacto que tem nos cursos de água e nas barragens”.

“(Importa) alertar as populações que os fenómenos meteorológicos que estamos a viver não passaram, eles são persistentes, têm um impacto muito significativo na vida e na normalidade das pessoas, sobretudo das pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas”, disse.

O comandante nacional avançou que a chuva deverá terminar no fim de semana, mas muitas zonas vão continuar “sob uma pressão elevada por causa do volume de armazenamento de água nas barragens e por causa da água que vai continuar a chegar aos diversos rios e ribeiros do país”.

Bacia do Mondego está de novo em situação de risco

A estação hidrométrica de Santa Clara apresentava, pelas 13h00, um nível de 4,08 metros, o mais alto desde o início das inundações na zona do Baixo Mondego.

Segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa, para além da altura de água na ponte de Santa Clara, em nível de risco (vermelho), o débito de água a jusante, na Ponte-Açude, ultrapassou às 12h00 de hoje os 1.900 m3/s e continua a subir.

A barragem da Aguieira também tem vindo a subir a percentagem de água acumulada (cerca de 87%), tendo aumentado a libertação de água, nas últimas horas, para os 725 m3/s, quase o dobro do que se registava às 20h00 de terça-feira.

Por outro lado, ao início da tarde de hoje continuavam a subir os níveis nas pontes da Conraria e Cabouco, no rio Ceira, afluente do Mondego a montante de Coimbra, ambas no nível de alerta (amarelo).

Na ponte do Cabouco, a cerca de cinco quilómetros (km) do ponto onde o Ceira desagua no Mondego, a altura de água atingia, à mesma hora, 3.95 metros, com um caudal de 203 metros cúbicos por segundo (m3/s).

Já na ponte da Conraria, localizada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, e onde este rio recebe água de um seu afluente, o Dueça, o nível hidrométrico atingia, às 13h15, um pouco mais de seis metros, para um caudal de cerca de 424 m3/s.

O valor de altura de água na Conraria continua hoje a subir e é superior à anterior altura máxima (5,22 metros registados em 1988), mas, ainda assim, ligeiramente inferior aos valores registados ao final da tarde de terça-feira.

Na noite de terça-feira, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alertou para “o risco claro” das margens do Mondego – rio que corre num canal artificial no Baixo Mondego - poderem colapsar e provocarem uma situação de cheia generalizada e descontrolada, face às previsões de forte precipitação.

A situação no Baixo Mondego levou a uma operação de emergência que previa a retirada de cerca de 3.500 pessoas de zonas ribeirinhas dos municípios de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho.

A zona do Baixo Mondego tem, há mais de uma semana, mais de 6.000 hectares inundados nos campos agrícolas do vale central e da ribeira de Foja (margem direita), mas também junto aos afluentes Ega, Arunca e Pranto, na margem esquerda, com alturas de água que chegam aos 2,5 metros em alguns locais.