Proteção do património bloqueia uma nova vida aos centros históricos
“Há alguns paradoxos que temos de ter a coragem de reverter. A legislação existente é, em alguns casos, obsoleta. E, em outros, ineficaz”, vincou Leonel Fadigas, uma das duas personalidades distinguidas com o Prémio Nacional Memória e Identidade.
“Este prémio não é pessoal. Foi construído com muita gente com quem trabalhei, discuti, aprendi e estudei. É o resultado de um esforço que resultou do olhar para o território”, disse.
O agraciado realçou a importância da presença de pessoas nos centros históricos: “O mais importante são as pessoas”.
Leonel Fadigas sublinhou que, caso não haja uma reintrodução das pessoas e das memórias nos centros históricos, “passa-se da história para a arqueologia”.
Já o padre Joaquim Augusto Nunes Ganhão, diretor do Museu Diocesano de Santarém, recebeu também esta distinção.
O Prémio “Memória e Identidade”, criado em 2012, em Angra do Heroísmo, tem como objetivo reconhecer personalidades cujo trabalho tenha contribuído de forma significativa para o conhecimento, a salvaguarda e a valorização dos centros históricos e da identidade cultural das cidades portuguesas.
Desde a sua criação, o Prémio Nacional “Memória e Identidade” tem distinguido ao longo dos anos diversas personalidades de referência na área da cultura, da arquitetura, da história e da salvaguarda patrimonial.
De entre os galardoados destacam-se o arquiteto Siza Vieira, o pintor Júlio Pomar, os ex-Presidentes da República António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, o escritor José Saramago ou o professor Vítor Veríssimo Serrão, entre outros.